Quanta comida precisarão as tripulações futuras?
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Contar calorias no espaço

07/07/2017 159 views 3 likes
ESA / Space in Member States / Portugal

Os foguetões e as naves espaciais podem levar-nos a Marte, mas são necessários alimentos para nos nutrir durante a viagem. Agora, os investigadores estão a usar a Estação Espacial Internacional para determinar a quantidade de alimentos que serão necessários numa nave espacial para ir à Lua, Marte ou além. Ao monitorizar a energia utilizada pelos astronautas, podemos contar o número de calorias que os humanos precisarão para voos longos.

  

Tamanho da dose: uma tripulação para Marte

O cálculo do gasto total de energia envolve fazer muitas medições ao longo de um período de 10 dias. O astronauta da ESA Paolo Nespoli, será a última das 10 “cobaias” necessárias, após o lançamento no final deste mês.

Paolo Nespoli na Star City
Paolo Nespoli na Star City

Logo pela manhã, Paolo usará uma máscara respiratória para medir os níveis de dióxido de carbono que produz e a quantidade de oxigénio que consome. Isto permite aos investigadores calcular a quantidade de energia que o corpo utiliza para manter funções básicas em estado de repouso.

Antes do pequeno-almoço, beberá uma dose de água marcada com oligoelementos. Ao monitorizar o quanto é eliminado, ao longo do tempo, na urina coletada, será calculado o uso total de energia.

Paolo vai tomar um pequeno-almoço padronizado e usará a máscara de respiração durante quatro horas. Isto revela quanta energia o corpo está a consumir para digerir, processar e armazenar a refeição.

O último passo é calcular a quantidade de energia utilizada na atividade física. Ao longo dos 10 dias, Paolo irá usar um monitor no braço para registar o tempo e a intensidade de diferentes atividades.

Analisar estas diferentes medições permite aos investigadores calcular o uso total de energia, de modo que as refeições possam ser adaptadas aos níveis de energia dos astronautas, garantindo que não recebem nada menos do que necessitam.

Thomas durante a experiência energética
Thomas durante a experiência energética

A comparação com as medições feitas antes e depois do voo também fornecerá informações sobre como a gravidade afeta o peso corporal. É bem-sabido que os astronautas, em missões mais longas em baixa órbita, perdem peso, mas os motivos não são claros.

Compreender o metabolismo em relação à atividade física em ambiente sem gravidade pode esclarecer o que está a acontecer e a melhor forma de nutrir os humanos nas missões no espaço profundo.

Mas a contagem de calorias no espaço também nos ajudará cá na Terra: entender o equilíbrio energético em relação à dieta e à atividade irá melhorar o atendimento de pacientes acamados.

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