ESAESA Informação Local Portugal
   
Multimedia
ESA - Galería de ImágenesEuronews Space in Portuguès
Serviços
CalendárioRSS feedsRegiste-se
 
 
 
Bookmark and Share
 
 
 
 
 
printer friendly page
Sopro do dragão: o ERS-2 e o Envisat revelam o impacto do crescimento económico na qualidade do ar da China
 
Air quality monitoring over China
 
 
6 Setembro 2005
O espectacular crescimento económico da China ao longo da última década trouxe muitos benefícios - e alguns desafios. A cartografia atmosférica global da poluição de dióxido de azoto efectuada pelo GOMR do ERS e pelo SCIAMACHY do Envisat revelou que as maiores concentrações de NO2 pairam sobre Beijing e o nordeste da China, como relata a revista Nature desta semana.
 
Como parte do Programa Dragão da ESA, investigadores europeus e chineses estão a utilizar os resultados enviados pelo Instrumento de Monitorização Global do Ozono (GOME) do ERS-2 e pelo Espectrómetro de Absorção de Imagens Digitalizadas para Cartografia Atmosférica (SCIAMACHY) do Envisat para monitorar e efectuar previsões sobre a qualidade do ar chinês.

Neste contexto, investigadores da Universidade de Bremen, do Max-Planck Institute of Meteorology de Hamburgo e do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS) francês têm-se dedicado ao estudo da detecção da variabilidade do dióxido de azoto a partir do espaço e à modelação do seu comportamento global.  
 
GOME
 
A equipa publicou um artigo na edição de 1 de Setembro de 2005 da revista científica Nature sobre as mudanças globais do NO2 observadas a partir do espaço na última década, com destaque para as mudanças dramáticas sobre a China.

O dióxido de azoto (NO2) está associado ao óxido de azoto (NO) na atmosfera e o conjunto dos dois é denominado NOX. Este é libertado para a troposfera pelas centrais eléctricas, indústria pesada e transportes rodoviários, bem como pela queima de biomassa, relâmpagos na atmosfera e actividade microbiana no solo. A emissão de óxidos de azoto aumentou cerca de seis vezes desde a era pré-industrial e o NOx existente nas cidades é mais de cem vezes maior do que na camada das antigas e distantes fronteiras marítimas.
 
 
Europe
 
Sabe-se que a exposição a grandes quantidades de dióxido de azoto provoca danos nos pulmões e problemas respiratórios, embora pouco se saiba sobre as consequências de uma exposição prolongada a quantidades atmosféricas elevadas. A presença deste gás contribui significativamente para a produção do ozono troposférico que, na troposfera (a camada inferior da atmosfera, que se estende numa altura de 8 a 16 quilómetros), é por si só um poluente tóxico prejudicial, sendo um dos principais ingredientes do nevoeiro fotoquímico.

"Enquanto que as concentrações da coluna vertical do dióxido de azoto sobre a Europa central e oriental e as zonas da costa Este dos Estados Unidos se têm mantido estáveis ou apresentando mesmo uma ligeira diminuição, existe um aumento claro e significativo sobre a China," explicou John Burrows, do Instituto de Física Ambiental da Universidade de Bremen, o investigador principal do SCIAMACHY.
 
 
"Antes do lançamento do SCIAMACHY, obtínhamos os dados do NO2 através do instrumento que o antecedeu, o GOME, da missão ERS-2 da ESA. Embora o GOME possuísse uma resolução inferior, o artigo mostra que as detecções de NO2 da China obtidas pelos dois instrumentos são praticamente coincidentes.

"O que a combinação de dados mostra é que os níveis de dióxido de azoto subiram cerca de 50% desde 1996, e este aumento deverá continuar."
 
 
GOME and SCIAMACHY data
 
Os sensores baseados no espaço são a única forma de efectuar uma monitorização global e regional efectiva da atmosfera. Enquanto que o GOME demonstrou a primeira sensibilidade dos satélites relativamente ao dióxido de azoto troposférico, o SCIAMACHY possui um desempenho superior, com uma resolução espacial de 60 x 30 quilómetros em comparação com os 320 x 40 km do seu antecessor.

O SCIAMACHY observa também a atmosfera de duas formas diferentes - para baixo ou 'sondagem do nadir', bem como 'sondagem do limbo' ao longo da direcção de voo - e com uma gama espectral maior do que a do seu antecessor.
 
 
O aumento dos níveis de dióxido de azoto verificados é uma consequência infeliz do sucesso económico. O boom industrial tornou a China no maior consumidor de cobre, alumínio e cimento do mundo e no segundo maior importador de petróleo. A compra de viatura própria no país duplicou em poucos anos.

"A concentração de dióxido de azoto na China varia de acordo com a estação," acrescentou Burrows. "É maior no Inverno, em resultado dos diversos padrões de emissões e condições meteorológicas. Por exemplo, queima-se mais combustível para aquecimento e o NO2 persiste mais tempo na atmosfera nas épocas do ano com menos sol - permanecendo cerca de um dia em vez de algumas horas, como acontece no Verão.
 
 
"A meteorologia desempenha também um papel importante. Observa-se um pico antes do Natal: isto não se deve à súbita redução da actividade industrial, do aquecimento doméstico ou dos transportes após o período das festas, mas sim à presença de um fluxo de ar em direcção a Este, que anteriormente pairava sobre a Ásia. Trata-se do mesmo tipo de fenómeno que transporta a poeira do Deserto de Gobi através da costa ocidental dos Estados Unidos."

Estão disponíveis informações mais detalhadas em Inglês em:
http://www.esa.int/esaCP/SEMEE6A5QCE_index_0.html
 
 

 
 
Artigos relacionados
Envisat enables first global check of regional methane emissionsPollution mappingGlobal air pollution map produced by Envisat's SCIAMACHY
Missões relacionadas
ERS overviewEnvisat overview
Aprofundamento
EO Principal Investigator PortalDragon ProgrammeESA Atmospheric Science Conference 2006
Links relacionados
NatureUniversity of Bremen's Institute of Environmental Physics SCIAMACHY pageDLR SCIAMACHY pageNetherlands Agency for Aerospace ProgrammesBIRA-IASB page on SCIAMACHYMax-Planck Institute for MeteorologyCNRS
 
 
 
   Copyright 2000 - 2011 © European Space Agency. All rights reserved.