ATV Johannes Kepler em desitegração controlada

ATV Jules Verne
O ATV Jules Verne após a separação, 2008
21 Junho 2011

O ATV Johannes Kepler tem sido uma componente importante da Estação Espacial Internacional, desde Fevereiro. Hoje, 21 de Junho, completará a sua missão, separando-se da Estação e desintegrando-se, de forma controlada, na atmosfera, numa área desabitada, por cima do Pacífico.

Estar ao serviço da Estação é uma nobre missão, que chegará ao fim de modo espectacular: o segundo Veículo de Transferência Automatizado da ESA, cheio de lixo da Estação, desintegrar-se-á na atmosfera terrestre, esta Terça-feira.

Tal como acontece com as toneladas de detritos espaciais que atingem o nosso planeta todos os dias, o ferry de dez toneladas irá incendiar-se na reentrada.

Resistirão, eventualmente, algumas peças mais duras que irão cair na região desabitada do Pacífico Sul. O tráfego aéreo e marítimo foi avisado, de forma a ser criada uma zona de exclusão, prevenindo qualquer acidente.

Os compartimentos do ATV foram preenchidos com 1200 quilos de lixo e hardware descontinuado.

Balanço da missão

Nespoli e Kaleri a trabalhar no ATV-2

O ATV, baptizado em honra a Johannes Kepler, partiu com sete toneladas de mantimentos, essenciais ao funcionamento da Estação, incluindo 1170 quilos de carga seca, 100 kg de oxigénio, 851 kg de combustível para reabastecer os tanques da Estação e 4535 kg de combustível para o próprio ATV, que reposicionou a Estação na sua órbita.

A 2 de Abril, o ATV-2 manobrou o complexo de forma a evitar a colisão com lixo espacial.

Durante a missão do Johannes Kepler, dois vaivéns espaciais e a nave de carga japonesa, HTV, visitaram a Estação, bem como duas naves Progress e uma Soyuz. Estas visitas exigiram vários ajustamentos da posição da Estação, grande parte com intervenção dos motores do ATV.

Últimas intervenções

A última missão de relevo do ATV consistiu em dar um impulso à órbita da Estação. A manobra envolveu três momentos de actuação: um a 12 de Junho, outro a 15 de Junho e o último na tarde de 17 de Junho.

O efeito combinado destes três procedimentos resultou na elevação da órbita da Estação até cerca dos 380 km de altitude.

A tripulação fechou as escotilhas entre a Estação e o ATV-2 no Domingo à tarde, às 15:30 GMT (17:30 CEST). A separação deu-se ontem, às 14:52 GMT (16:51 CEST), com os motores do ATV a aumentarem suavemente a distância entre as duas estruturas.

A 21 de Junho, Johannes Kepler irá disparar os seus motores mais duas vezes para descer em direcção à Terra.

O primeiro disparo, marcado para as 17:07 GMT (19:07 CEST) irá obrigá-lo a descer em direcção à Terra. O segundo, às 20:05 GMT (22:05 CEST), irá direccioná-lo, com precisão, em direcção ao alvo, no Pacífico.

Ao atingir a atmosfera, o ATV irá começar a arder, desintegrando-se e queimando-se. O material que possa sobrar irá atingir o oceano, às 20:50 GMT (22:50 CEST).

Útil até ao último momento

O ATV-1 em chamas, por cima do Pacífico, em 2008

Alguns aspectos de uma entrada destrutiva controlada ainda não são bem conhecidos, daí que os últimos momentos do ATV venham a ser gravados numa «caixa negra» protótipo.

Este dispositivo - Reentry Breakup Recorder - irá guardar medições da localização, temperatura, pressão e direcção do veículo, antes de ser ejectado.

Ao atingir uma altitude de 18 km, irá transmitir a informação através do sistema de comunicação Iridium.

Com esta última ligação a casa, Johannes Kepler será produtivo até mesmo ao final da sua missão.

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