A ESA assegura a sua presença nos confins do Universo

O XMM-Newton
24 Novembro 2010

A ESA decidiu prolongar a vida útil de onze das suas missões espaciais científicas. Isto permitirá que missões de grande valor, a nível mundial, continuem a enviar novos resultados, até, pelo menos, 2014.

O Comité para o Programa Científico da ESA (SPC – Science Programme Committee) teve de tomar decisões importantes no encontro de 18-19 de Novembro, em Paris. Trata-se de 11 missões científicas, todas ainda operacionais, além do seu período de vida estimado, todas ainda a enviar dados científicos excepcionais, e com o seu orçamento a chegar ao fim.

«A longevidade destas missões é uma prova do cuidado com que a indústria construiu estes satélites, do grande rigor das equipas que os operam e da capacidade dos cientistas continuarem a pensar em novos e valiosos problemas científicos que podem ser testados durante estas missões,» diz Martin Kessler, responsável da ESA pelo Departamento de Operações Científicas.

A Vénus Express

Há dois anos foi introduzida uma nova abordagem no plano financeiro da ESA para as missões espaciais. Isto significa que, a cada dois anos, é feita uma avaliação de todas as missões que estão prestes a esgotar o orçamento, com a perspectiva de prolongamento das mesmas. As missões que estiveram a ser avaliadas neste último encontro foram o Cluster, o Integral, o Planck, a Mars Express, a Venus Express e o XMM-Newton – todas da responsabilidade da ESA.

Também foram analisadas as contribuições da ESA em missões de colaboração internacional, como a Hinode (com o Japão), a Cassini-Huygens, o Telescópio Espacial Hubble e a Soho (todas com a NASA) e ainda as operações científicas da demonstração de tecnologia da ESA Proba-2.

Na semana passada, o SPC as extensões previamente acordadas destas missões até 2012 e aprovou novos prolongamentos até 2014, sujeitos a confirmação no final de 2012, cumprindo o ciclo de avaliação a cada dois anos.

SOHO image,  28 October 2003
O céu visto pelo SOHO

As extensões da SOHO, Hinode e Proba-2 permitem que o Sol seja examinado de perto durante o próximo pico de actividade magnética, esperado para 2013. Entretanto, os quatro satélites Cluster irão medir o efeito desta actividade mais perto de casa, no campo magnético terrestre.

No último ano a ESA lançou o observatório Herschel que trabalha nos infra-vermelhos e nas bandas sub-milimétricas. A ESA agora prolongou os observatórios de altas energias, Integral e XMM-Newton, o que quer dizer que os astrónomos europeus têm agora acesso a um vasta gama de observações, o que fornecerá uma visão única do Universo violento. Isto vai complementar os dados obtidos no ultra-violeta, no visível e próximo do infra-vermelho, que chegam do Telescópio Espacial Hubble.

Dentro do Sistema Solar, a Mars Express e a Venus Express estão a investigar os planetas vizinhos da Terra, enquanto a Cassini-Huygens continua a seu estudo detalhado de Saturno e das suas luas.

O céu em microondas visto pelo Planck

O satélite Planck está a mapear a radiação cósmica de fundo, resquícios do Big Bang. A decisão de prolongar por um ano esta missão possibilita a utilização do sensor de baixa frequência de uma nova maneira. Isto permitirá extrair o máximo de informação possível dos sinais que constituem a impressão digital do Big Bang.

«Não é uma época fácil para assumer este género de compromissos, mas não devemos duvidar da capacidade do SPC em obter ainda mais retorno dos grandes investimentos do passado,» diz David Southwood, director da ESA da Exploração Científica e Robótica. «A Ciência de grande qualidade irá continuar a surgir a partir deste conjunto de naves. É um bom dia para a ciência espacial. A Europa irá continuar a desempenhar um papel importante na descoberta dos mistérios do Universo.»

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