A ESA convida jovens investigadores para um encontro sobre impactos de asteróides

Deep impact
11 Dezembro 2008

A ESA (Agência Espacial Europeia) convida jovens investigadores a participar na primeira conferência de defesa planetária, a realizar na Academia Internacional de Astronáutica, na qual especialistas de todo o mundo irão debater os impactos de asteroides e a investigação que se desenvolve em torno do tema. Quinze de Dezembro é data limite para o envio das contribuições.

O evento, organizado con o apoio da ESA, irá decorrer de 27 a 31 de Abril de 2009 em Granada. A conferência é co-patrocinada por todas as grandes agências espaciais e empresas espanholas como a GMV ou a Deimos Space. A conferência conta também com o apoio de centros de investigação como o Instituto de Astrofísica da Andaluzia, IAA-CSIC. No encontro estarão presentes cerca de 200 especialistas dos cinco continentes, que analisarão o estado dos estudos em torno dos chamados Objectos Próximos da Terra, ou NEO (Near-Earth Object), e o perigo que podem representar para o nosso planeta.

Os NEOs são os nossos vizinhos mais próximos, no Sistema Solar. São maioritariamente asteróides – há também alguns cometas-, objectos com tamanhos que vão desde alguns metros até vários quilómetros de diâmetro. Alguns deles têm órbitas que os aproximam de forma inquietante do nosso planeta. Na verdade, os impactos de estes objectos eram frequentes na infância terrestre; a hipótese que colhe mais defensores para a origem da Lua, por exemplo, inclui um impacto de asteróide: um objecto do tamanho de Marte terá chocado com a Terra há 4.400 milhões de anos, arrancando o material que acabaria por dar origem ao nosso satélite. Alguns impactos mais recentes poderiam ter tido consequências dramáticas para a evolução da vida na Terra. Atribui-se a alguns impactos extinções em massa, como a que pôs fim à era dos dinossauros há 65 milhões de anos. Mais recentemente, em 1908, a explosão de um objecto de apenas uns metros de diâmetro sobre a região de Tunguska, na Sibéria, causou danos importantes à escala local, arrasando 2.000 km2 de floresta.

É provável que ocorra um impacto semelhante nos próximos 200 a 1000 anos. Por sorte, dentro de 20 anos teremos uma oportunidade espectacular para estudar estes objectos, quando o asteróide Apofis se aproximar e estiver a apenas uns milhares de quilómetros da Terra -mais ou menos a mesma distância a que estão os satélites de navegação (GSP y Galileo). O objecto será visível a olho nu, pelo que terá grande impacto –desta vez, e por sorte, apenas mediático.

Uma visita esperada

Electrostatic Tractor

É importante que nesta altura, nas universidades, haja ainda mais investigadores desenvolvendo estudos em torno dos NEOs. Por isso, a ESA organiza um concurso para que jovens investigadores europeus (ou associados a um grupo de investigação europeu) possam propor os seus trabalhos e explorar novos aspectos da ciência e da tecnología, em preparação para estas visitas esporádicas dos nossos vizinhos astronómicos.

Apofis é uma verdadeira montanha de rocha em órbita, com 270 m de diâmetro e 20 milhões de toneladas de massa. Apesar de não representar nenhum perigo de momento, é bastante representativo do tipo de objectos –entre os que encerram algum perigo pelo seu tamanho e enorme energia cinética- que mais frequentemente se aproximam do nosso planeta, com intervalos de algumas centenas de anos pelo meio. Por isso, o concurso propõe utilizar-se a visita de Apofis como catalizador da investigação aplicada no campo dos asteróides.

Meteor Crater Arizona

“É um assunto atractivo para muitos investigadores, porque nos estudos sobre estes objectos e sobre as missões espaciais relacionadas com eles combinam-se uma grande panóplia de campos de investigação de ponta”, diz Andrés Gálvez, que faz parte do comité de organização da conferência. Além disso, “inventar novas soluções ou dar resposta a alguns dos mistérios que ainda existem em torno dos NEO exige uma boa dose de criatividade. A investigação e desenvolvimento tecnológico necessitam de desafios, e tentar entender como evitar possíveis catástrofes à escala planetária é tremendamente excitante”, indica Gálvez.

O concurso intitula-se “Encuentro 2029 – Jóvenes Investigadores estudiando Apofis”. Estudantes no seu último ano de curso ou que estjam inscritos num programa de doutoramento são convidados a enviar os seus resumos sobre temas como: modelação da vizinhança de um corpo menor e efeitos relacionados (por exemplo condições locais de plasma, poeiras, radiação solar, efeito Yarkovsky); geologia e geofísica dos corpos menores, dinâmica e controle no âmbito de missões de encontro ou intercepção de objectos semelhantes ao Apofis; estratégias de deflexão inovadoras, etc.

O apelo da ESA às universidades

Com o objectivo de tentar estimular o trabalho em temas -de entre aqueles relacionados com o estudo dos NEO- que possam atrair as mentes mais brillantes para a investigação espacial, no Advanced Concepts Team - ACT da Agência Espacial Europeia, também se propõem alguns problemas que podem ser utilizados como ponto de partida dos trabalhos apresentados na conferência. Os membros do ACT oferecem-se desta forma para participar activamente em trabalhos futuros.

As bases para participar no concurso e alguns dos temas propostos para realizar trabalhos podem encontrar-se nesta página:

http://www.esa.int/gsp/ACT/events/workshops/Student_comp_for_Apr09_planetary_defense.htm

Os vencedores irão receber um prémio e apoio económico para o pagamento dos gastos relacionados com a participação no evento. A página da 1ª Conferência da IAA sobre Defesa Planetária:

http://www.congrex.nl/09c04/

Para mais informação

Andrés Gálvez
General Studies Programme
Tel: +33 1 5369 7623
Email: andres.galvez @ esa.int

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