A embrulhar seis meses de trabalho

André Kuipers
27 Junho 2012

O astronauta da ESA, André Kuipers, tem partida da Estação Espacial Internacional e chegada à Terra marcadas para 1 de julho. Nesta fase, André está a terminar experiências e a arrumar as suas malas para a partida. Uma das últimas experiências é ver como é que o corpo humano se mantém quente.

Nós damos por garantido que o nosso corpo se mantém nos 37ºC. Vamos correr, vamos à sauna, esquecemo-nos do nosso casaco num dia de frio e o nosso corpo adapta-se e regula a temperatura. Os vasos sanguíneos expandem-se ou contraem e transpiramos para manter o calor ou deixar o excesso de calor evaporar-se.

Na Terra, a convecção é o processo que nos permite arrefecer: quando os líquidos e os gases aquecem, tornam-se menos densos e sobem, dissipando o calor pela pele.

Não há convecção em ausência de gravidade, por isso é surpreendente que o corpo dos astronautas se adaptem e não sobreaqueçam no espaço.

Exercício físico na Estação

No projeto Thermolab estuda-se a temperatura corporal dos astronautas em missões de longa duração para ajudar a perceber como é que o corpo se adapta à ausência de gravidade.

Uma vez que o controlo da temperatura é particularmente importante durante o exercício, os cientistas na Terra observam André e os seus colegas em descanso e durante o exercício.

A experiência está a ser feita em conjunto com a NASA, em situações de inspiração máxima de oxigénio, quando os astronautas usam a bicicleta de exercício na Estação.

O uso de termómetros convencionais no espaço não é nada prático, além de fazer gastar tempo. Por isso, André tem dois sensores na testa e no peito que medem a sua temperatura continuamente.

O sensor Thermolab usado na Mars500

O sensor foi usado pela primeira vez pelo astronauta da ESA, Frank De Winne, em 2009 e depois extensivamente durante a missão Mars500, para medir como é que a temperatura corporal depende do ciclo dia e noite.

Os hospitais têm mostrado interesse no equipamento Thermolab. A monitorização da temperatura corporal pode fornecer um alerta prévio relativamente ao estado de saúde de um paciente. Uma vez que o sistema é não invasivo é mais higiénico e fácil de usar.

André e os seus dois colegas de tripulação irão aterrar às 10:15 GMT (12:15 CEST) de domingo, 1 julho. Assista à aterragem com a ESA e leia o seu blog enquanto ele entra na última semana da sua missão PromISSe.

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