A nave da ESA, Mars Express, apresenta fortes evidências de que já houve um oceano em Marte

Antigos oceanos na parte Norte de Marte
6 Fevereiro 2012

Há fortes evidências de que uma parte da superfície de Marte já esteve coberta por um oceano, mostram dados recolhidos pela nave Mars Express. Através de radar, a sonda detetou reminiscências de sedimentos de fundo oceânico, dentro das fronteiras de uma zona costeira que já tinha sido identificada.

O radar MARSIS radar tem estado a recolher dados desde 2005. A equipa de Jérémie Mouginot, do Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble (IPAG) e da Universidade da Califórnia, Irvine, analisou mais de dois anos de dados e descobriu que as planícies do norte estão cobertas de material de baixa densidade.

"A interpretação que fazemos é de que se trata de depósitos sedimentários, talvez ricos em gelo," diz Mouginot. "Isto é uma nova e forte evidência de que naquela região já existiu um oceano."

Já havia suspeitas de que terá havido oceanos em Marte e já tinham sido identificadas reminiscências de uma costa, em imagens captadas por várias naves. No entanto, o assunto mantém-se controverso.

Foram propostos dois oceanos: um há 4 mil milhões de anos, quando o clima era mais quente, e outro há 3 mil milhões de anos quando o gelo por baixo da superfície derreteu, seguindo-se de um forte impacto, que criou canais de escoamento que conduziram a água para áreas mais baixas.

Investigação de radar da Mars Express

"O MARSIS penetra bem fundo no solo, revelando os primeiros 60–80 metros da sub-superfície do planeta," diz Wlodek Kofman, líder da equipa do radar no IPAG.

"Nesta profundidade, há evidência de sedimentos e gelo." Os sedimentos revelados pelo MARSIS são áreas de baixa refletividade de radar. Tais sedimentos são tipicamente de materiais granulosos de baixa densidade, sujeitos à erosão da água e transportados até ao seu destino final.

Este oceano desaparecido terá sido, no entanto, temporário. Num espaço temporal de um milhão de anos ou menos, estima Mouginot, a água terá congelado novamente, sendo preservada debaixo do solo, ou ter-se-á transformado em vapor de água, subindo lentamente até à atmosfera.

"Não acredito que o oceano tenha existido tempo suficiente para a formação de vida."

De forma a encontrar evidências de vida, os astrobiólogos terão de olhar para um período ainda mais antigo, na história de Marte, quando a água líquida permaneceu por períodos mais longos no planeta.

No entanto, reúne as melhores evidências de que já existiram grandes quantidades de água líquida em Marte e é mais uma prova da importância da água no estado líquido na história geológica de Marte.

"Resultados anteriores da Mars Express sobre a água em Marte vieram do estudo de imagens e dados mineralógicos, bem como de medições atmosféricas. Agora temos a visão do radar sub-superfície," diz Olivier Witasse, o cientista de projeto da ESA para a Mars Express. "Isto acrescenta novas informações ao puzzle, mas a questão permanece: para onde foi toda a água?"

A Mars Express continua a investigar.

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