Agências espaciais juntam esforços na recolha de dados, na área das alterações climáticas

Evento paralelo da ESA na COP15
16 Dezembro 2009

Mais de trinta mil pessoas, de 190 países, estarão reunidas na conferência das Nações Unidas sobre as alterações climáticas, em Copenhaga, durante duas semanas. Na Quinta-feira, cerca de 150 convidados assistiram a um evento promovido pela ESA, com o título Global Monitoring of our Climate: the Essential Climate Variables.

Durante o evento, conferencistas de várias agências realçaram o papel que os satélites de observação da Terra assumem no estudo sistemático do clima global.

Estas observações são essenciais para a investigação em alterações climáticas e para o desenvolvimento de estratégias de mitigação e adaptação.

A Convenção das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (UNFCCC) já reconheceu há muito tempo a necessidade global de estudar as variáveis do clima de forma a quantificar o estado do nosso clima. No âmbito da Iniciativa para as Alterações Climáticas da ESA um conjunto de registos de variáveis climáticas globais, a longo prazo, será fornecido usando tecnologias espaciais.

Estes dados são obtidos pelo Sistema Global de Observações Climáticas (GCOS)- uma organização da Organização Meteorológica Mundial (WMO) – para dar suporte à UNFCCC e ao Painel Internacional das Alterações Climáticas.

Dr Briggs opening the side event
Dr. Briggs na abertura do evento

Na abertura do evento paralelo, Dr Stephen Briggs, responsável pelo departamento da ESA de Ciências de Observação da Terra, Aplicações e Tecnologias do Futuro, explicou como é que a ESA está a responder às necessidades do UNFCCC com a sua Iniciativa para as Alterações Climáticas.

«A ESA desenvolveu a Iniciativa para as Alterações Climáticas de forma a gerar, preservar e dar acesso a dados de variáveis climáticas essenciais, disponibilizando-os à comunidade científica que estuda o clima, a nível mundial», disse Briggs.

Dados de satélites, com um recuo de três décadas, combinados com dados das novas missões, serão usados para produzir informação numa panóplia de variáveis climáticas, tais como a concentração de gases com efeito de estufa, extenção dos gelos polares, e temperatura da superfície da água do mar bem como o seu nível.

A Iniciativa para as Alterações Climáticas irá desenvolver todas as acções necessárias para a obtenção de variáveis climáticas essenciais, incluindo a preservação de dados de longa data e o seu reprocessamento periódico, recalibração, desenvolvimento de algoritmos, geração de produto e validação, verificação de qualidade dos registos climáticos no contexto dos modelos de clima.

A desflorestação do Brasil, vista do espaço

Estas actividades serão implementadas pela ESA, em parceria com o GCOS e UNFCCC, agências espaciais, e parceiros relevantes no campo da investigação e monitorização das alterações climáticas (EC, WMO, NOAA, EUMETSAT e programas nacionais).

No evento, Gilberto Camara, Director do Instituto Brasileiro para a Pesquisa do Espaço (INPE), descreveu a forma como as agências espaciais estão a suportar as observações do clima, em áreas como os gases com efeito de estufa e a monitorização das florestas.

«A monitorização operacional do clima usando a observação da Terra é essencial. Isto não pode ser feito a solo. Daí que seja necessário que as agências espaciais se coordenem e trabalhem em conjunto», disse Camara, «A observação da Terra é a área que tem crescido mais em termos de orçamento nos últimos anos e irá aumentar ainda mais nos próximos anos. A democracia dos dados tem de chegar às massas.»

The Xingu River, Brazil
Deforestation in Brazil seen from space

Carolin Richter, directora do Secretariado do GCOS, também sublinhou a necessidade de levar os dados aos países em desenvolvimento, dizendo que gostaria que fosse atingido o objectivo da livre trocas de dados.

O director da Secção de Projectos de Observação da Terra, da ESA, Oliver Arino, apresentou a frota de satélites de observação da Terra, inlcuindo os Earth Explorers e os Sentinels, e explicou como é que os dados destes podem contribuir para estudos no ciclo global do carbono, nível e temperatura do mar, bem como para o estudo dos gelos oceânicos. Também demonstrou como é que os satélites podem ser usados para a monitorização dos fogos e da cor dos oceanos.

A directora da Agência Europeia do Ambiente, Jacqueline MacGlade, falou no evento acerca do impacto das alaterações climáticas, dando como exemplo a velocidade a que os glaciares estão a mudar. «Os decisores políticos contam o dinheiro; nós vamos fazer com que contem água, ar puro e florestas. É muito importante ter observações actualizadas e dados, contínuos, a longo prazo. O impacto das alterações climáticas é uma realidade. O espaço dá-nos muita informação e o solo ainda mais. A combinação dos dois é essencial.»

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