Agências espaciais na direção do futuro sustentável

Workshop logo
29 Novembro 2011

As missões espaciais inspiram o movimento mundial de defesa do ambiente, ao mostrar a fragilidade do nosso Planeta, visto lá de cima. O espaço e o ambiente mantêm uma estreita ligação – uma relação realçada durante um encontro recente.

O Workshop Internacional para o Ambiente e a Energia Alternativa (International Workshop on Environment and Alternative Energy) de 2011 foi organizado pela NASA e pelo Centro para a Prevenção da Poluição, com sede em Lisboa, e decorreu no ESTEC, o principal centro técnico da ESA, em Noordwijk, na Holanda, de 15 a 18 de Novembro.

116 participantes de 11 países assistiram ao evento, que reuniu investigadores, engenheiros, advogados e estudantes. O workshop foi uma oportunidade para a exibição de tecnologias inovadoras de prevenção da poluição e de produção de energia renovável e para a partilha de experiências – com foco na pegada ecológica da própria indústria espacial.

Franco Ongaro, Director Técnico e da Gestão da Qualidade e Responsável do ESTEC, elogiou a utilização de 100% de electricidade verde no edifício.

O ESTEC – 100% de eletricidade verde

Ongaro notou que a indústria espacial desempenhou um papel importante na implementação de tecnologias para o desenvolvimento sustentável, incluindo painéis solares e pilhas de hidrogénio. As missões espaciais também estão na linha da frente para a compreensão das alterações climáticas.

“É o mínimo que se pode exigir aos nossos programas se queremos manter o elevado estatuto moral,” acrescentou o Director.

“Relativamente aos satélites, temos de garantir que as próximas gerações continuem a usar órbitas terrestres baixas, garantindo uma produção cada vez menor de lixo orbital e encontrando formas de limpar o espaço.

Franco Ongaro, ESA Director of Technical and Quality Management
Franco Ongaro

Isto quer dizer que no solo temos de garantir que os produtos e os processos utilizados são o mais amigos do ambiente possível.”

Ongaro explicou que estava em preparação uma nova iniciativa designada Clean Space para analisar o impacto ambiental das atividades da Agência. Em comparação com a indústria automóvel, o espaço é uma indústria de baixo volume, no entanto os seus efeitos são sentidos no mesmo planeta.

Nova legislação ambiental e um aumento da preocupação dos clientes e parceiros significa que este escrutínio é inevitável – mas, independentemente disto, é também a atitude certa.

Fuglesang and Curbeam during first EVA
O astronauta Christer Fuglesang partilhou as suas experiências no espaço

Mikko Nikulainen, responsável da ESA da Divisão Tecnológica de Materiais e Componentes, explicou de que forma a ESA se está a preparar para a implementação da regulação industrial de registo químico – REACH – da Comissão Europeia. Esta regulação poderá significar o fim da utilização de muitos produtos standard, dos propelentes aos solventes.

A ESA, em parceria com outras agências espaciais, está a procurar alternativas amigas do ambiente, ainda antes da regulação entrar em vigor. “Estamos a desenvolver estas tecnologias verdes não apenas para garantir o cumprimento, mas porque durante o processo surgem novos e prometedores mercados.”

O astronauta veterano Christer Fuglesang, atualmente responsável pelas atividades científicas dos Voos Tripulados da ESA, recordou a sua própria experiência ao olhar para a Terra vista do espaço: durante o dia, havia poucos sinais de povoamento, mas à noite as luzes das cidades eram uma evidência clara da presença do homem na Terra – sete mil milhões e sempre a subir.

Student participants
Os estudantes que participaram

Fuglesang mostrou ter esperança de que as novas tecnologias em desenvolvimento para o espaço – tais como o MELISSA (Micro-Ecological Life Support Alternative) – um sistema de suporte à vida baseado na reciclagem poderia ser utilizado também em ambientes terrestres.

Nathalie Meusy, responsável da ESA para o Gabinete de Coordenação em Desenvolvimento Sustentável, e James Leatherwood, Director da Divisão para a Gestão Ambiental da NASA, comparou os relatórios de sustentabilidade das duas agências espaciais, relaçando o interesse comum em impulsionar a intensidade da energia e o uso de energias renováveis, diminuindo a emissão de gases com efeito de estufa.

Ao longo da semana, estudantes, empresários e institutos de investigação tiveram a oportunidade de participar. O Instituto Alemão para a Energia Solar Fraunhofer sublinhou o seu recorde mundial de 41,1% em eficiência solar e o seu trabalho na construção de ‘casas de energia zero’, quer na Alemanha quer na Coreia do Sul. Também foram consultores no projecto de Masdar City, em Abu Dhabi, com zero emissões de carbono.

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