As árvores contam a sua vida aos satélites

2 Abril 2012

As comunicações via satélite estão a mudar a forma como a indústria florestal faz o abate de árvores. Está a ser testado pela ESA um novo sistema que combina satélites de comunicação e serviços de telecomunicações móveis para transmitir informações importantes quase instantaneamente, de modo a que seja possível produzir mais madeira usando menos árvores.

A empresa irlandesa Treemetrics, em cooperação com a ESA, está a desenvolver o sistema Satmodo, o qual permitirá comunicar em tempo real com as máquinas e os operadores de colheita de árvores.

Os responsáveis pelas colheitas podem enviar instruções diretamente para os computadores dos veículos via satélite, indicando aos operadores como podem melhorar o uso das árvores.

As árvores não são todas criadas da mesma forma. Algumas são melhores para fabricar celulose,enquanto outras são mais adequadas para serem usadas como “toros” - para serem cortados em pedaços de madeira, tornando-se mais valiosos.

As árvores-toro têm maiores diâmetros, são direitas e têm menos nós. Cortar estas valiosas árvores para a produção de celulose é um desperdício e reduz o valor da colheita.

A Treemetrics desenvolveu uma nova forma de avaliar o valor de uma safra antes da colheita de madeira utilizando scanners 3D a laser para medir a forma, tamanho e linearidade de árvores em pé.

Com base no pedido do cliente, um programa de software cria o ficheiro “uma instrução de corte” que diz à máquina e ao seu operador como fazer o abate das árvores.

Mas os responsáveis tinham que dar as instruções aos operadores via e-mail, telefone ou presencialmente. As informações via e-mail tinham de ser inseridas manualmente num computador de controlo do veículo e enviadas de cada vez que a máquina precisava de uma nova instrução.

Agora, graças aos satcoms, a ESA criou o elo perdido na cadeia: o Satmodo, a ligação bidirecional em tempo real, ou quase em tempo real, com os veículos florestais.

Ao ser possível reunir informações sobre o rendimento real da madeira por hectare e enviar esses dados através do Satmodo para os operadores, o valor da colheira pode ser determinado quase em tempo real e alterado no local, em vez de se esperar até cortar a floresta toda.

O sistema híbrido Satmodo consiste num satélite/dispositivo terrestre sem fios instalado no veículo, que transmite dados em tempo real através do IsatM2M, o novo serviço da empresa Inmarsat.

O IsatM2M é um serviço de mensagens via satélite de duas vias que permite a localização e monitorização máquina-a-máquina em qualquer lugar do mundo, não importa quão remoto.

O Satmodo oferece também uma “rede de segurança” para os operadores que trabalham em locais remotos.

O sistema mantém os trabalhadores em contato constante em áreas onde as redes móveis terrestres não funcionam.

Para testar o sistema Satmodo, o dispositivo híbrido será instalado em 20 veículos, permitindo monitorizar máquinas individuais ou grupos de máquinas.

Os resultados da colheita irão ser geridos em tempo quase real, criando assim um sistema de gestão totalmente integrado.

Com sede em Cork, Irlanda, e apoiada pelo ministro irlandês para a investigação e a inovação, o Sr. Seán Sherlock, a empresa Treemetrics passou anos a desenvolver tecnologia de medição e análise para substituir os métodos florestais tradicionais.

A empresa contatou a ESA, através do programa de aplicações para Satcom, para a ajudar a desenvolver ainda mais a sua tecnologia através da utilização de satélites.

"A ESA, com a sua inovadora plataforma de aplicações integradas, está muito satisfeita por apoiar esta ótima idéia de empreendedorismo jovem", disse Amnon Ginati, o chefe do departamento Aplicações Integradas e Telecomunicações da ESA.

"Nós também estamos muito satisfeitos com o apoio que estamos a receber a nível político e da Enterprise Ireland".

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