As duas faces de Titã

Dunas em Titã e na Terra
25 Janeiro 2012

Uma nova análise de dados de radar recolhidos pela nave espacial Cassini mostrou variações regionais nas dunas de areia de Titã. O resultado dá novas pistas acerca da história climática e geológica da gigantesca lua.

Os campos dunares são quase tão comuns em Titã, a maior lua de Saturno, como as planícies aparentemente uniformes que cobrem grande parte da superfície.

Cobrem 13% de Titã, ao longo de 10 milhões de quilómetros quadrados, o equivalente à área do Canadá. São, portanto, uma amostra em larga escala do ambiente lunar.

Apesar de serem semelhantes na forma às dunas de areia encontradas nos desertos da Namíbia ou da Arábia, as dunas de Titã são gigantescas para os padrões terrestres. Têm em média 1 a 2 quilómetros de largura, centenas de quilómetros de comprimento e cerca de 100 metros de altura.

No entanto, o seu tamanho e distribuição no espaço variam ao longo da superfície.

Outra diferença é que a areia, em Titã, não é composta por silicatos, como na Terra, mas de hidrocarbonetos sólidos que se precipitam fora da atmosfera. Depois disso, agregam-se em grãos de tamanho milimétrico, através de um processo ainda desconhecido.

Usando dados de radar da nave das agências NASA–ESA–ASI, Cassini, a equipa de Alice Le Gall, do LATMOS-UVSQ, em Paris e do NASA–JPL, Califórnia, descobriram que o tamanho das dunas de Titã é controlado por pelo menos dois fatores: altitude e latitude.

Os principais campos dunares em Titã são encontrados nas zonas baixas. As dunas nas partes mais altas tendem a ser mais estreitas e mais afastadas e o espaço entre elas aparecem em tom mais brilhante no radar da Cassini, o que indica que existe uma fina camada de areia. Isto sugere que há relativamente pouca areia disponível nos sítios mais elevados, enquanto nas regiões mais baixas há mais areia disponível.

Em termos de latitude, as dunas de Titã estão confinadas à região equatorial, entre os 30°S e os 30°N.

No entanto, tendem a tornar-se mais estreitas e espaçadas nas latitudes mais a norte. Le Gall acredita que isto se deva à órbita elíptica de Saturno.

Titã gira em torno de Saturno e por isso as estações desta lua são controladas pelo percurso de Saturno à volta do Sol. Umz vez que Saturno demora cerca de 30 anos a completar uma órbita, cada estação em Titã dura um pouco mais de sete anos. A natureza ligeiramente elíptica da órbita de Saturno significa que o hemisfério sul tenha verões mais curtos, mas mais intensos.

O resultado disso é que na região austral a humidade do solo, devida aos vapores de etano e de metano, é reduzida. Quanto mais secos os grãos de areia, maior a facilidade de serem transportar pelo vento, para fazer as dunas.

"À medida que vamos para norte, provavelmente a humidade do solo aumenta, diminuindo a capacidade de movimento das partículas de areia e dificultando a formação das dunas," diz Le Gall.

A predominância de lagos e oceanos no hemisfério norte vem reforçar esta hipótese, pela sugestão de que o solo será mais húmido nesta parte de Titã, o que torna mais difícil o transporte da areia pelo vento.

“Compreender a forma como as dunas se formam e explicar a sua forma, tamanho e distribuição na superfície de Titã tem uma grande importância para a compreensão do clima e geologia de Titã,” diz Nicolas Altobelli, cientista de projeto da ESA para a Cassini–Huygens. "Como são feitas de hidrocarbonetos atmosféricos, as dunas poderão fornecer importantes pistas para a compreensão do ainda misterioso ciclo de metano/etano em Titã, comparável em muitos aspetos ao ciclo da água na Terra."

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