Aterragem da Huygens:
um ano depois

13 Janeiro 2006

Faz esta semana um ano que, a 14 de Janeiro de 2005, a sonda Huygens da ESA atingiu a camada superior da atmosfera de Titã e aterrou na superfície, após uma descida de pára-quedas, 2 horas e 28 minutos mais tarde.

Enquanto parte da missão conjunta da NASA/ESA/ASI a Saturno e às suas luas, a sonda Huygens foi enviada da nave espacial Cassini para explorar Titã, a maior lua de Saturno. A química orgânica de Titã poderá ser como a da Terra primitiva, há cerca de 4000 milhões de anos, e poderá conter pistas sobre a forma como a vida começou no nosso planeta.

A missão Huygens tem sido um notável sucesso científico e de engenharia, uma das missões espaciais mais complexas e cientificamente gratificantes até à data. O contacto com a superfície de Titã assinalou o local mais afastado da Terra em que uma nave espacial criada pelo Homem aterrou com êxito.

Foram obtidas imagens nítidas da superfície de Titã abaixo de 40 km de altitude – revelando um mundo extraordinário, semelhante à Terra em muitos aspectos, sobretudo ao nível da meteorologia, geomorfologia e actividade fluvial, mas com ingredientes diferentes. As imagens revelam uma forte evidência de erosão devido a fluxos de líquidos, possivelmente metano.

A Huygens permitiu estudos sobre a atmosfera e a superfície, incluindo a primeira amostragem in-situ da química orgânica e dos aerossóis abaixo de 150 km. Estes confirmaram a presença de uma química orgânica complexa, o que reforça a ideia de que Titã é um local prometedor para observar as moléculas que podem ter sido as precursoras dos elementos básicos da vida na Terra.

Cerca de 260 cientistas e até 10 000 engenheiros e outros profissionais de 19 países superaram diferenças culturais e multi-disciplinares de modo a alcançar uma cooperação espantosa.

O cientista do projecto Huygens da ESA, Jean-Pierre Lebreton, afirma, “Esta missão demorou duas décadas a ser realizada e excedeu os limites das nossas capacidades, quer científicas, tecnológicas ou organizacionais. Mas os cientistas e engenheiros usaram as suas competências e inteligência para superarem barreiras técnicas, políticas e celestiais e, assim, alcançarem os seus objectivos.

“No final, triunfaram de forma espectacular e, além do extraordinário retorno científico, a missão deveria ser uma inspiração e uma lição para organizações de todos os tipos, de todos os sectores, de como as pessoas podem trabalhar juntas.”

Copyright 2000 - 2014 © European Space Agency. All rights reserved.