Atividade espacial de Portugal debatida em Café de Ciência no Parlamento

José Ribeiro e Castro, presidente da Comissão de Educação, Ciência e Cultura
19 Abril 2013

Indústria, academia e políticos debateram, de forma informal, a ligação de Portugal à ciência e à indústria espacial. «Ciências do Espaço, oportunidades na Terra», foi o tema do evento que aconteceu ontem, dia 17, ao final da tarde, na biblioteca da Assembleia da República. A organização esteve a cargo da Agência Ciência Viva e do Conselho dos Laboratórios Associados.

Num ambiente descontraído, juntaram-se deputados de vários partidos políticos, representantes das empresas ligadas ao espaço, e cientistas de institutos e universidades com interesse na área, como o Observatório Astronómico de Lisboa e o de Coimbra ou o Instituto de Telecomunicações. 

Durante cerca de duas horas, debateram-se os sucessos atingidos na área – como a recente vitória de uma equipa portuguesa, da ilha de Santa Maria, na competição para estudantes, promovida pela ESA, CANSAT - ou a integração de tecnologia portuguesa na missão Proba-3. Também houve oportunidade de apontar alguns dos problemas por que passa o setor espacial em Portugal.  

«Tem havido um investimento muito significativo nesta área, o que nos tem trazido benefícios. A área do espaço permite um bom retorno industrial», declarou o presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Miguel Seabra, que salientou o facto de Portugal ter reafirmado, durante a última ministerial, os compromissos assumidos com a Agência Espacial Europeia, mantendo a participação em programas opcionais. «O espaço não pertence exclusivamente à Ciência. Pertence a todos», rematou Miguel Seabra.

António Neto, presidente da Proespaço – Associação Portuguesa das Indústrias do Espaço –, reforçou que «em Portugal, praticamente toda a produção no sector se destina à exportação. Sendo que o investimento no sector espacial apresenta um efeito multiplicador da ordem de duas a quatro vezes.»

Vanda Brotas, professora do departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, realçou a importância das observações de satélites para o seu trabalho de investigação na área do fitoplâncton, nomeadamente na «validação dos parâmetros estimados pelos modelos.»

João Pedro Neto, que fez parte do programa de trainees da ESA, e agora é gestor de projeto na HPS Portugal, aproveitou para anunciar que a sua empresa está a participar no desenvolvimento de um sistema de proteção térmica para a sonda ExoMars, uma missão não tripulada ao Planeta Marte, da responsabilidade da Agência Espacial Europeia e lançamento previsto para 2016. 

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