Cumpridos os 105 dias em isolamento – faltam 400

17 Setembro 2010

A viajar pelo espaço interplanetário, na sua missão de simulação de viagem ao Planeta Vermelho, a tripulação da Mars500 entrou agora numa nova fase do seu isolamento. A missão anterior teve a duração de 105 dias, em 2009, e a partir de agora tudo nesta experiência é novidade.

A tripulação de seis pessoas da Mars500, fechada em segurança nas instalações em Moscovo, tem estado a viajar virtualmente em direcção a Marte desde o dia 14 de Junho, quando a missão deixou a órbita da Terra. O lançamento foi a 3 de Junho, quando a porta da sua nave-simulada foi fechada.

Romain in control room
Romain na sala de controle das instalações

Desde então, a tripulação tem seguido a agenda da missão, reproduzindo com a precisão possível uma potencial missão ao planeta vizinho, o que inclui atrasos nas comunicações e uma rotina diária semelhante a uma missão espacial real.

Neste momento, o atraso nas comunicações – que representa a distância da nave à Terra – é de dois minutos em cada direcção, tornando impossíveis as comunicações directas. À medida que a simulação avança o atraso atingirá os 20 minutos.

A próxima etapa ficará marcada pela aterragem em Marte, planeada para 10 de Fevereiro de 2011. Ao todo a missão irá durar cerca de 520 dias, com o regresso à Terra previsto para o início de Novembro de 2011.

Dia a Dia

Diego a fechar o seu reservatório de experiências

«É difícil pensar que daqui a um ano ainda estaremos aqui nestes módulos», diz Romain Charles, um dos elementos da tripulação da ESA. «Vivemos o dia-a-dia, tentanto tirar o melhor partido disso. O que tem funcionado nestes primeiros 105 dias, e resultará para os mais de 400 que faltam.»

Com mais de cem experiências científicas a seu cargo, a tripulação da Mars500 não corre o risco de se entediar. O tempo da tripulação distribui-se entre o entretenimento e os projectos pessoais, além das operações de manutenção e das tarefas diárias da nave. A equipa também pratica exercício físico várias horas por dia, para compensar a falta de actividade física.

«Já passou muito tempo e nesta fase da missão a equipa anterior já estava entusiasmada, uma vez que o período de isolamento estava a terminar», brinca Diego Urbina, o outro europeu a bordo. «Não nos podemos dar a este luxo. Temos de manter a mente tão equilibrada quanto possível – por um longo período de tempo.»

Fournier and Knickel ready to enter Mars500 facility
Cyrille e Oliver depois da experiência de 105 dias

Os dois tripulantes europeus cumprimentam calorosamente os anteriores membros europeus da viagem de 105 dias, Cyrille Fournier e Oliver Knickel.

«Poderíamos ter continuado a nossa missão com grande facilidade,» diz Cyrille Fournier, um dos dois tripulantes europeus no estudo de 105 dias. «A motivação é a questão chave. Também é importante mantermo-nos ocupados. Eu tinha muito que fazer nas instalações – não tinha tempo para andar a vaguear e a ver o tempo passar. Outra coisa importante é a rotina diária. Cumprindo isto, pode-se basicamente continuar quase indefinidamente.»

«É claro que tivémos altos e baixos durante a missão», continua Oliver Knickel, outro dos tripulantes europeus da missão de 105 dias. «No princípio estávamos muito entusiasmados e depois novamente no final, quando faltavam apenas alguns dias.»

Os momentos mais difíceis aconteceram a meio da missão, seis a oito semanas depois de ter começado. «Só conseguimos ultrapassar estas fase mais difíceis da missão funcionando como uma equipa. Daí que o meu conselho à tripulação actual seja simplesmente: pensa no que podes fazer pelos teus parceiros,» diz Oliver.

«Durante a missão, os teus colegas e os restantes membros da missão estão a agir profissionalmente, mas acabam por se criar uma amizade,» conclui Cyrille. «Continuamos muito próximos. Foi uma experiência fantástica!» Desejo o melhor para a tripulação que está agora na nave.»

Mars500 crew with questionnaires
A tripulação da Mars500 a preencher questionários

The most difficult moments during their isolation were in the middle, about six to eight weeks from the beginning. “You can go over these phases and have a successful mission only as a crew. So, my advice to the current team is simple: think what you can do for your crewmates,” states Oliver.

“During the mission, you’re colleagues and everybody is acting professionally, but afterwards you’re friends,” Cyrille concludes. “We’re all still very close now as friends. It was a great experience! I wish all the best for the new crew inside the ‘spacecraft’”

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The latest diary update from the European crewmembers Diego Urbina and Romain Charles is published today on the ESA’s Mars500 web pages. ESA TV will air today a video about the mission with new material from the inside the facility.

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