Dados de satélite aumentam a segurança na aviação

Cinzas vulcânicas varrendo o norte da Europa
20 Abril 2010

Milhares de aviões ficaram em terra, em toda a Europa, devido à propagação de cinzas vulcânicas emitidas pela erupção no glaciar islandês Eyjafjallajoekull. As erupções vulcânicas expulsam grandes quantidades de cinzas e gases, como o dióxido de enxofre, para a atmosfera, atingindo a altitude dos voos comerciais.

Quando o avião passa por uma nuvem de cinzas vulcânicas, as partículas entram nos motores a jacto, o que pode provocar a falha no motor. As cinzas podem ainda danificar gravemente os materiais das aeronaves, bloquear os sensores, limitar a visão dos pilotos e estragar as janelas do cockpit, as luzes de aterragem e partes das asas e cauda.

Boeing-747 engines of flight BA-009
As cinzas fazem desligar os motores dos aviões

Mais de 90 aeronaves ficaram danificadas depois de terem passado por nuvens de cinzas vulcânicas. Os custos associados a esta questão, entre 1982 e 2000 está estimado em 200 milhões de euros.

Todos os anos há cerca de 60 erupções vulcânicas. A monitorização em terra é feita a um número limitado de vulcões. De facto, a maior parte dos vulcões, principalmente os localizados remotamente, não são monitorizados com regularidade. Daí que as medições por satálite, em tempo real, de dióxido de enxofre (SO2) e aerossóis possam fornecer informação complementar, para avaliar, a nível global, o impacto das erupções vulcânicas no controle do tráfego aéreo e a segurança do público.

De forma a assegurar que os riscos vulcânicos são comunicados, os Centros de Aconselhamento em Cinzas Vulcânicas (VAACs) foram estabelecidos em 1995 para juntar informação relativa a nuvens de cinzas vulcânicas, avaliando o eventual risco para a aviação. Como forma de auxiliar os VAACs nas suas tarefas, a ESA começou o Serviço de Suporte ao Controle da Aviação (SACS), enviando emails com alertas, em tempo real, relativos ao SO2. Para cada alerta, é produzido um mapa em torno do pico de SO2 que desencadeou o alerta.

Além de ser enviada para os VAACs, esta informação – obtida a partir do instrumento SCIAMACHY, no Envisat, da ESA, GOME-2 e IASI, no MetOp, OMI no EOS-Aura e AIRS, no Aqua – é enviada também para unidades de observação vulcanológica, organizações de cuidados de saúde, cientistas, etc.

Islândia sem nuvens, coberta de neve, a 22 de Fevereiro

Para saber se as aeronaves podem passar em segurança por cima ou por baixo das nuvens vulcânicas e para prever melhor o movimento das nuvens, no futuro, os VAACs precisam de dados mais precisos acerca da altitude e altura da coluna de cinza.

Este é o foco principal do projecto da ESA Suporte à Aviação para o Escape às Cinzas Vulcânicas (SAVAA), que visa montar um sistema de demonstração capaz de integrar dados de satélite e de medições meteorológicas de forma a calcular a altura das emissões, usando a trajectória e modelação inversa. O sistema poderá então ser implementado no ambiente operacional dos VAACs

Além disso, o projecto SAVAA fornece dados complementares aos alertas de SO2 do SACS, através de avisos de cinzas para os VAACs baseados em medições de satélite na gama do infravermelho.

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