ESA e NASA unem forças para medir o gelo do Ártico

Gelo do Ártico visto pela P-3 da Nasa
9 Abril 2012

Uma vez mais, num esforço de colaboração notável, a ESA e a NASA encontraram-se esta semana sobre o Oceano Ártico para realizar alguns voos coordenados sob a órbita do satélite da ESA CryoSat. Os dados recolhidos irão contribuir para o sucesso científico da missão de Gelo da ESA.

O objetivo desta campanha era registar a espessura e as condições do gelo marítimo ao longo da linha traçada pelo CryoSat. Uma série de sensores instalados nos vários aviões foram usados para recolher dados complementares.

Estes instrumentos aéreos incluíam simples máquinas para fotografar o gelo marítimo, scanners a laser para mapear com precisão a altura do gelo, um sensor de espessura para gelo chamado EM-Bird, juntamente com o sofisticado radar altímetro da ESA chamado ASIRAS e os radares de neve e de banda Ku da NASA, que fazem o mesmo tipo de medidas do CryoSat, mas com maior resolução.

Voos perfeitamente coordenados

Em órbita há dois anos, o CryoSat incorpora o primeiro radar altímetro dedicado à monitorização de alterações na espessura do gelo.

Como em qualquer missão de observação da Terra, é importante validar as leituras adquiridas a partir do espaço. Esta validação envolve a comparação de dados obtidos por satélite com medidas efetuadas localmente, geralmente em terra e do ar.

As equipas de cientistas da Europa, EUA e Canadá esperam que, reunindo tempos de voo e resultados, se melhore muito a precisão das medidas globais da espessura do gelo obtidas pelo CryoSat e o IceSat da NASA.

Esta melhoria irá, por sua vez, contribuir para uma maior compreensão do impacto das alterações climáticas sobre o meio ambiente do ártico.

Off to rendezvous with NASA
A caminho do encontro com a Nasa

Rene Forsberg, do Instituto do Espaço da Dinamarca, disse: “Como cientista valorizo muito a colaboração.

“Os dados de obtidos por um só instrumento são apenas uma peça do quebra-cabeças. Da minha experiência com medidas de gravidade e de altimetria em camadas de gelo, descobri que é através da combinação de dados de instrumentos diferentes que se resolve com mais facilidade o quebra-cabeças.”

Sea ice from laser scanner
Gelo marítimo obtido com um scanner a laser

Mas as campanhas nestes locais extremamente frios e remotos são difíceis e envolvem inúmeros desafios. O mais óbvio é o clima extremo. Enquanto grande parte da Europa e da América do Norte goza o clima primaveril, as temperaturas no Ártico estão ainda abaixo dos -30 °C.

A estas temperaturas, é um desafio gerir aviões, instrumentos científicos e, claro, pessoas.

Gerir as distâncias geográfica e temporal é um outro desafio. É que a equipa da Nasa está em Thule, na Gronelândia, e a equipa da ESA está em Alert, no Canadá. Por fim, mas não menos importante, algumas operações do satélite da ESA - por exemplo, as manobras de órbita e os ajustes de instrumentos - precisam de ser coordenadas com as atividades de campo para maximizar os resultados científicos.

Mosaíco de gelo

Apesar destes e de muitos outros desafios, os voos coordenados foram um grande sucesso.

Na semana passada, quando por duas vezes o CryoSat passou no horizonte, no lado oposto do Oceano Ártico, varrendo o mar congelado a mais de 6 km/s, os aviões da ESA e da NASA encontraram-se ao longo da costa e voaram em conjunto sob a água gelada, seguindo a linha traçada pelo satélite.

Profile of sea ice and snow cover
Perfil de gelo coberto por neve

O cientista do projeto Icebridge, da NASA, Michael Studinger, disse: "A campanha conjunta ESA/NASA tem sido incrivelmente bem-sucedida.

“Seria fácil ver este sucesso como vulgar e esquecer como é realmente difícil esta empreitada. Num ambiente extremo como este, a segurança e o sucesso das operações baseia-se na competência e na experiência das equipas envolvidas.”

Malcolm Davidson, do programa CryoSat, acrescentou: "Ao unir forças e esforços, a ESA e a NASA vão muito mais longe do que qualquer das agências separadamente.

“As atividades conjuntas desta semana são a imagem viva das sinergias desta colaboração.”

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