Equipamento de realidade aumentada permite aos astronautas fazer diagnósticos e tratamentos médicos

Capacete
9 Fevereiro 2012

Um novo equipamento de realidade aumentada, desenvolvido pela ESA, dotará os astronautas da capacidade de desempenhar tarefas médicas. Basta que coloquem um capacete com visor na cabeça, seguindo depois as instruções em 3D para o diagnóstico e até a cirurgia.

O Sistema de Diagnóstico Médico e Cirurgia Assistido por Computador, CAMDASS (na sigla em inglês), é um sistema compacto de realidade aumentada que se encontra na fase de protótipo.

A realidade aumentada mistura o real com o virtual, precisamente pela combinação de imagens geradas por computador com a visão do utilizador.

Para já, o CAMDASS está direcionado para a realização de exames com ultrassons, mas em princípio poderá conduzir outros procedimentos médicos.

Augmented reality headset
Visão em realidade aumentada

A preferência pelos ultrassons está relacionada com a versatilidade e a eficácia destes como ferramenta de diagnóstico, estando já disponíveis na Estação Espacial.

No futuro e em viagens mais longas, os astronautas terão de ser capazes de tratar de si próprios. Dependendo da distância a que estiverem da Terra, as conversas com os especialistas em terra sofrerão um atraso de vários minutos ou estarão mesmo bloqueadas.

“Apesar de a tripulação ter conhecimentos médicos, não é possível treinar os astronautas até um ponto em que estes dominem todos os procedimentos médicos que venham a ser necessários durante uma missão,” disse Arnaud Runge, engenheiro biomédico da ESA que coordena o projeto.

Augmented reality
Apresentação do sistema

O CAMDASS usa dois monitores montados num capacete e um equipamento de ultrassons monitorizado através de uma câmara de infravermelhos. A zona a examinar é marcada antes de se iniciar o diagnóstico.

Um dispositivo de ultrassons está ligado ao CAMDASS e o sistema permite que o corpo do paciente seja ‘registado’ na câmara e o monitor é calibrado à visão de cada utilizador.

O sistema de realidade aumentada sobrepõe gráficos em 3D sobre o que está a ser visto pelo utilizador, conduzindo a sua intervenção. Para gerar estas imagens, o CAMDASS relaciona uma série de pontos de referência sobre um ‘humano virtual’ com a imagem registada do paciente.

CAMDASS layout
O CAMDASS em testes na Bélgica

Assim, o utilizador é orientado no manuseamento da sonda de ultrassons.

A imagem de referência, em ultrassons, dá ao utilizador uma indicação acerca daquilo que deveria estar a ver e o reconhecimento de voz permite um controle em mãos livres.

O protótipo foi testado no Hospital Universitário de Saint-Pierre, em Bruxelas, Bélgica, com estudantes de medicina e enfermagem, a Cruz Vermelha belga e equipas de paramédicos.

Augmented reality testing
CAMDASS testing in Brussels

Utilizadores não treinados consideraram que conseguiam executar procedimentos de dificuldade média sem ajuda, com a sonda na posição correta.

“Com base nesta experiência, estamos a tentar refinar o sistema – por exemplo, reduzindo o peso e tornando o protótipo mais fácil de manejar,” explicou Arnaud.

“Quando o desenvolvimento estiver completo, o sistema pode também ser usado como parte de sistema de telemedicina que forneça assistência médica em zonas remotas, através de satélite.”

“Também pode ser usado como uma ferramenta de autossuficiência para profissionais da emergência médica.

“Seria interessante fazer mais teste em zonas remotas, nos países em desenvolvimento e potencialmente na base Concordia, na Antártida. Poderá ainda ser usado no espaço.”

Financiado pelo Programa da ESA, Investigação em Tecnologia Básica, o protótipo foi desenvolvido para a Agência por um consórcio liderado pela Space Applications Services NV, na Bélgica, com o apoio da Universidade Técnica de Munique e o Centro Alemão de Investigação em Cancro, DKFZ.

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