Estação açoriana segue voo do Ariane

A Estação de Santa Maria
9 Fevereiro 2011

Quando o ATV Johannes Kepler descolar a 15 de Fevereiro, a estação de seguimento da ESA, na ilha de Santa Maria, Açores, irá estar a vigiá-lo, juntando dados essenciais enquanto o Ariane 5 completa a sua viagem.

Em 2008, a estação de Santa Maria, localizada a cinco quilómetros de Vila do Porto, na ilha açoriana, tornou-se na mais recente estação a juntar-se à rede global de seguimento da ESA, ESTRACK. A antena de 5,5 metros de diâmetro da ilha oferece um serviço de seguimento crucial durante os lançamentos do foguete Ariane 5, enquanto estes levam os Veículos de Transferência Automatizados (ATVs) europeus até à sua órbita.

Com uma massa total de 20 toneladas no lançamento, incluindo o combustível, comida e carga para a Estação Espacial Internacional, o ATV é a maior e mais sofisticada nave especial alguma vez construída na Europa. O próximo lançamento, do ATV Johannes Kepler, tem data prevista para 15 de Fevereiro. Irá acoplar-se automaticamente à ISS oito dias mais tarde, a 23 de Fevereiro, permanecendo ligado à Estação até Junho. Durante este tempo serão realizados reposicionamentos da órbita, essenciais à manutenção da Estação.

Santa Maria: localização geoestratégica

Imagem de artista do Ariane com o ATV Johannes Kepler

De forma a colocarem os ATVs na órbita correcta, os lançadores Ariane devem seguir uma determinada rota em voo, que os leva quase directamente aos céus por cima de Santa Maria, apenas alguns minutos após o lançamento a partir do porto espacial europeu em Kourou, na Guiana Francesa.

Esta trajectória obrigou a que fosse montada uma rede específica de estações de seguimento para receber dados em tempo real durante os momentos chave dos lançamentos. Nos lançamentos do ATV, as estações da ESA oferecem informações de seguimento ao CNES, a agência espacial francesa, que coordena a rede de seguimento do Ariane.

A estação de Santa Maria- paisagem da ilha

Santa Maria é uma das primeiras estações da ESA capazes de seguir um lançador durante o voo com motor e a geografia dos Açores oferece a localização ideal para a aquisição de sinais dos lançadores a subir, a nordeste de Kourou.

Na próxima semana, durante a primeira fase a motor, o Ariane V200 com o ATV a bordo, irá estar a 130 de altitude da ilha, estando à vista da antena de seguimento da estação durante cerca de oito minutos. Durante esta passagem, a estação irá receber via rádio dados de telemetria cruciais, com informação segundo a segundo sobre o estado dos sistemas do Ariane, tais como a propulsão, orientação e navegação.

Estação pronta para o lançamento do Ariane

«Fizémos uma série de testes técnicos na estação de Santa Maria em Agosto e Setembro de 2010, seguidos de um teste operacional completo em Janeiro. Estamos perfeitamente aptos para o voo do Ariane na próxima semana e esperamos que seja um dia intenso com excelentes resultados» disse Gerhard Billig, o engenheiro da ESA responsável pelo seguimento dos lançadores.

Depois de passar por cima dos Açores, Europa e Sudeste da Ásia, o Ariane irá passar por cima da Austrália, onde será da mesma forma seguido pela estação de 15 metros da ESA, em Perth, e por uma estação em Awarura, na Nova Zelândia.

O Ariane 5 com a trajectória do ATV

O Ariane andará à volta da Terra, para ganhar altitude, e fará uma segunda passagem próximo de Santa Maria, desta vez a uma altitude de 250 quilómetros. Por esta altura, o ATV já se terá separado do Ariane e o lançador irá estar na sua rota de reentrada destrutiva prevista, o que irá acontecer mais tarde.

«A Estação de Santa Maria tira partido da posição geoestratégica do arquipélago dos Açores constituindo um importante recurso infraestrutural para a ESA e para Portugal, enquanto um dos seus Estados Membros, na implementação dos programas espaciais Europeus,» diz Mário Amaral, coordenador do Space Office de Portugal.

«Esperamos que a Estação de Santa Maria continue a contribuir de forma significativa para os Programas de Observação da Terra da ESA e da União Europeia, em particular no âmbito da iniciativa GMES (Monitorização Global para o Ambiente e a Segurança).»

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