Estudantes de Física do Porto vão voar em Gravidade Zero

Airbus A300 usado para a realização de voos parabólicos
8 Março 2004

Duas equipas de estudantes do Departamento de Física da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) foram seleccionadas este ano para a campanha de voos parabólicos que terá lugar nos céus de Bordéus, França, no próximo mês de Julho.

Nos últimos seis anos, a ESA tem organizado campanhas onde grupos de alunos universitários europeus se propõem realizar experiências em gravidade zero. Este ano, pela primeira vez, alunos da FCUP fizeram-se representar nesta iniciativa através de duas propostas que reúnem o melhor da ciência fundamental, engenharia, e tecnologia aeroespacial.

As duas equipas vencedoras, "Física-Porto" (João Vieira Gomes, Luís Fernandes, João Freire de Andrade e Tiago Fonseca), coordenada pelo Professor Helder Crespo, e "Space Sailors" (José António do Aido Pais, Liliana Novais, Vítor Botelho e Mariana Seabra), coordenada pelo Professor Ariel Guerreiro, apresentaram projectos onde irão estudar o escoamento de fluidos em condições de gravidade zero e a detecção de fugas de gases em naves espaciais, respectivamente.

Portuguese students ZERO-G Parabolic Flight Campaign
Os estudantes portugueses seleccionados para a sétima campanha de voos parabólicos

De um total de cerca de 140 propostas, submetidas por grupos oriundos de universidades de praticamente todos os países da União Europeia, foram aprovadas apenas trinta e duas, sendo que os dois projectos do Departamento de Física da Faculdade de Ciências foram os dois projectos portugueses finalistas.

Todos os anos, 120 estudantes têm a oportunidade de fazer parte da campanha de voos parabólicos da ESA. Cada uma das 30 experiências realizadas a bordo é cuidadosamente planificada por cada uma das equipas participantes. Cada equipa é composta por 4 estudantes que provêm de um dos 15 estados membros da ESA. Os voos ocorrem no airbus A300 ZERO-G, especialmente equipado para realizar voos parabólicos.

Nestes voos, serão experimentadas condições de ausência de gravidade em tudo semelhantes às encontradas pelos astronautas nos voos espaciais.

"Dançando" no tecto

Num voo parabólico, o avião é colocado numa trajectória sub-orbital que permite criar um ambiente "queda-livre", ou de imponderabilidade. Cada manobra começa por uma manobra acrobática que inicia em posição de voo, e se inclina cerca de 45 graus ao nível das asas e do "nariz" do avião, submetendo os passageiros a uma pressão 2-g durante cerca de 20 segundos.

Depois disso, o avião é lançado na mesma trajectória parabólica que uma bola seguiria, fornecendo a todos que se encontram dentro do avião vinte segundos de gravidade zero destinados à realização de experiências. No final da parábola, o avião sai lentamente da sua trajectória e retorna ao nível do próximo arco, restaurando peso na cabine.

Na Terra tudo está continuamente sob a influência de 1g (10 m/s2). Não só necessitamos dos nossos pés para nos movermos, mas também todas as coisas que se encontram sobre uma mesa permanecem onde estão por causa da gravidade. A Natureza não poderia viver sem gravidade. A gravidade influencia tudo em torno de nós e dentro de nós, fazendo parte dos processos de base da vida e da produção dos bens, por exemplo processos biológicos no nível celular, da produção das ligas de elevada qualidade, etc.

Esta é a razão porque poder estudar estes processos num ambiente de gravidade zero é fascinante e valioso. Somente fazendo experiências na imponderabilidade, podemos aprender mais sobre a influência da gravidade na Terra.

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