Europa com ar mais limpo

A queda no dióxido de azoto
10 Julho 2012

Medições de satélite mostram que o dióxido de azoto na baixa atmosfera por cima de algumas partes da Europa e dos Estados Unidos decresceu ao longo da última década. Mais de 15 anos de observações atmosféricas revelaram melhorias na qualidade do ar.

À medida que aumenta a população mundial, crescem as economias de muitos países e a população concentra-se nas cidades grandes. Com o recurso às energias fósseis ainda a aumentar, a poluição nas cidades grandes está também a aumentar.

O dióxido de azoto é um poluente importante na troposfera, a porção mais baixa da nossa atmosfera.

As observações de satélite começaram com o lançamento do satélite ERS-2 em 1995, em especial com o instrumento GOME, originalmente concebido para monitorizar o ozono atmosférico.

A monitorização continuou com o sensor Sciamachy no Envisat, OMI no da NASA Aura e o GOME-2 no MetOp da Eumetsat.

Este conjunto de instrumentos mostra que ao longo dos anos, os níveis de dióxido de nitrogénio decresceram nos Estados Unidos e na Europa, mas aumentou no Médio Oriente e em algumas partes da Ásia.

Subida no dióxido de azoto

“As alterações observadas a partir do espaço podem ser explicadas por dois efeitos: um aumento do uso dos combustíveis fósseis nas economias emergentes, levando ao aumento da poluição e à melhoria na tecnologia – como carros mais limpos – levando a uma diminuição na poluição,” explicou Andreas Richter, cientista do Institute of Environmental Physics da Universidade de Bremen, na Alemanha.

“Estas alterações nos níveis de poluição são surpreendentemente rápidas e os satélites são a única forma de as monitorizar a nível global.

Daí que seja de extrema importância manter o funcionamento de satélites que possam monitorizar a poluição.”

Nos Estados Unidos, verificou-se uma diminuição nos níveis de dióxido de azoto em áreas urbanas do estado da Califórnia.

“Medições aéreas e em terra corroboram os dados de satélite,” disse Si-Wan Kim da americana National Oceanic and Atmospheric Administration.

“As medições de satélite estão agora a ser usadas para melhorar os registos das emissões na Califórnia.”

Dióxido de azoto em Los Angeles

Estes resultados foram apresentados recentemente na conferência ‘Advances in Atmospheric Science and Applications’ em Bruges, na Bélgica.

Organizada pela ESA, a conferência foi dedicada à deteção remota de gases raros na atmosfera, nuvens e aerossóis, gases com efeito de estufa e monitorização da qualidade do ar. Além da exploração científica dos dados de satélite, a conferência também se focou na forma como a informação já recolhida em missões de observação da Terra pode complementar os dados atuais na monitorização do clima.

As missões do presente também são importantes na definição de futuras missões e programas de exploração.

As missões Sentinel-4 e -5 estão a ser desenvolvidas no âmbito do programa Europeu de Monitorização Global do Ambiente e da Segurança (GMES) e vai continuar a fornecer medições relativas à química da atmosfera, possibilitando o desenvolvimento de serviços para a monitorização da qualidade do ar na Europa.

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