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    Explorar um asteróide com os Desert RATS

    23 Setembro 2011

    No início deste mês, cientistas europeus e astronautas percorreram juntos a superfície de um asteróide. O programa de simulação realística da NASA, Desert RATS, incluiu este ano, pela primeira vez, uma componente europeia.

    Não era bem um asteróide, mas um deserto próximo de Flagstaff, no Arizona, Estados Unidos. Desde 1999 que cientistas, astronautas e engenheiros de diferentes instalações da NASA e de universidades se juntam uma vez por ano para simularem missões à Lua e a Marte.

    O Desert RATS – Pesquisa no Deserto e Estudos Tecnológicos – tem servido para testar rovers, habitats, fatos espaciais, instrumentos, robots, sistemas de comunicação, métodos de pesquisa e outros aspectos científicos e operacionais de missões futuras.

    Estas ‘missões’ realísticas em ambientes extremos ajudam a planear futuras missões de exploração especial e são uma experiência valiosa em operações complexas.

    Leva-me a um asteróide

    Um astronauta e um geólogo numa visita de campo, do projecto Desert RAT

    Desta vez, a tripulação de astronautas e geólogos ‘aterrou’ num asteróide vizinho e aventurou-se numa viagem de campo – a pé e em dois Veículos de Exploração Espacial.

    Durante duas semanas, a equipa viveu num Habitat de Espaço Profundo com ligações via rádio à nave mãe e controle de missão a partir da Terra.

    A equipa teve de lidar com um atraso de 100 segundos nas comunicações com a Terra, nos dois sentidos, e com uma largura de banda limitada. Foi impossível reproduzir a baixa gravidade de um asteróide, mas os ‘spacewalkers’ agiram como se fossem um corpo pequeno.

    Por exemplo, tiveram de se fixar ao chão quando recolheram amostras geológicas, usando o martelo – caso contrário o ressalto tê-los-ia atirado em rotação para o espaço.


    A Europa vai a bordo

    No ano passado, o especialista da ESA em estratégia de missões futuras, William Carey, era o único europeu no Arizona, mas este ano havia uma equipa inteira de cientistas europeus a participar.

    “A simulação é semelhante a um jogo de cricket: longos períodos de inactividade pontuados por períodos de concentração intensa,” explicou William, referindo-se à longa preparação.

    “Quando as actividades extra-veiculares começaram, os corações de cada um desataram a bater mais depressa.”

    Isto acontecia especialmente nas duas salas de apoio, cada uma com uma equipa de cientistas e engenheiros para apoiar cada um dos veículos e a sua tripulação. Os cientistas europeus trabalharam na sala de apoio Erasmus, no centro técnico da ESA, ESTEC, em Noordwijk, Holanda, que normalmente apoia as operações científicas da ISS.

    A equipa de apoio à ciência, no ESTEC

    A equipa de onze, da Itália, França, Holanda, ESA e NASA comunicaram com as tripulações no Arizona, tal como aconteceria numa missão real a um asteróide.

    “Estes cientistas eram os olhos suplentes e o cérebro extra da tripulação,” disse Sylvie Espinasse, coordenadora para o trabalho, da ESA.

    “A operar com acesso a som e imagem, pudemos monitorizar os geólogos e astronautas no terreno e comunicar com eles tendo em conta o atraso”

    Goro Komatsu

    Durante os dois dias intensos em que o ESTEC esteve online, a equipa seguiu tudo o que estava à superfície do asteróide, observando o que a tripulação fazia, tentando analisar do ponto de vista geológico e ajudando os exploradores a aproveitar ao máximo o limitado tempo para o passeio espacial.

    “Gostei imenso deste tipo de exploração diferente,” disse Goro Komatsu, geólogo de campo da International Research School of Planetary Science, Itália.

    Komatsu ficou muito entusiasmado quando a acção foi interrompida durante o segundo dia por uma tempestade: “Foi muito útil aprender a enfrentar o inesperado.”

    Afinal, numa missão real a um asteróide podem ocorrer tempestades solares ou falhas na comunicação e os astronautas podem ser obrigados a protegerem-se.

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                • Institut des Sciences de la Terre d'Orléans (CNRS, France)
                • International Research School of Planetary Science (Pescara, Italy)
                • Department of Petrology, Vrije Universiteit (Amsterdam, the Netherlands)

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