Ferramentas para as escolas: O Eduspace oferece novas formas de ensinar observação da Terra

Eduspace logo
13 Novembro 2002

Pergunte a educadores europeus o que eles pensam sobre o novo website Eduspace e sobre o ensino de assuntos relacionados com a Observação da Terra em escolas secundárias: pode vir a surpreender-se com as respostas.

Para Maurizio Bertoldo, um professor de ciências duma escola secundária de Palemo (Itália), o Eduspace proporciona uma oportunidade não só de educar os alunos nos processos de observação da Terra e nas ciências e tecnologias subjacentes, mas também de ampliar os conhecimentos destes nas outras ciências.

“O que eu gosto no Eduspace é que ele está focado numa tecnologia subjacente que pode ser aplicada em outras áreas, tais como a química e a geologia; não só na detecção remota e no espaço, “ disse Bertoldo.

Eduspace handover ceremony
Uma introdução ao Eduspace da ESA

Parte tecnologia espacial, parte análise de imagens, parte ensino à distância, o Eduspace destina-se sobretudo a satisfazer a curiosidade natural dos jovens acerca do mundo à sua volta. Contendo imagens de satélite obtidas a partir de naves espaciais, quer da ESA, quer de outras instituições, o site inclui software gratuito para analisar as imagens. Ele apresenta também sugestões de projectos para a construção de curricula e para a colaboração com outras escolas através de e-learning.

A ESA toma as rédeas do Eduspace

O Eduspace faz parte do actual programa da ESA para ampliar conhecimentos ao nível da educação científica e tecnológica nas escolas secundárias europeias. Desenvolvido com dois objectivos que estão interligados: o de dar aos alunos um portal de aplicações espaciais e o de reforçar a visibilidade das tecnologias de observação da Terra, o site tem sido coordenado pela ESA e pelos seus parceiros europeus e nacionais.

O website foi lançado na Primavera do ano passado pela associação Eurisy. Sediada em Paris, a Eurisy foi criada no âmbito das preparações europeias para o Ano International do Espaço em 1992. Depois disso, os membros da associação decidiram que a Eurisy deveria continuar o seu trabalho – o de aumentar a consciência pública acerca das actividades espaciais europeias.

Eduspace handover
O professor Hubert Curien, presidente da Eurisy, entrega o Eduspace à ESA

Até agora, cerca de 225 escolas já aderiram à rede do Eduspace. O seu alcance extende-se para lá dos limites da Europa, chegando a escolas em países tais como a Bósnia, a Turquia, a Lituânia e a Hungria. O website recebe aproximadamente 80 000 hits mensalmente e tem cerca de 25 000 visitas.

A Eurisy entregou formalmente o site Eduspace à ESA, numa cerimónia que decorreu nas instalações do ESRIN em Frascati, Itália. Mais de 50 professores de 14 países viajaram para o ESRIN para assistir a esta cerimónia, a que se seguiram dois dias de workshops em tecnologias de observação da Terra, planificação de aulas e exercícios práticos de sala de aula.

O programa incluiu também formação em sistemas de informação geográfica e no LEOWorks, o programa do Eduspace - que é possível fazer-se o download - para análise de imagens desenvolvidas pela ESA e pelos seus parceiros. Finalmente, os professores fizeram um passeio de campo ao Lago Albano e ao Monte Tuscolo, ambos localizados fora de Roma, para uma experiência prática de comparação de imagens de satélite com a realidade no terreno.

Na cerimónia de passagem de responsabilidades do Eduspace, os representantes da ESA quiseram fazer notar que a ESA está naturalmente envolvida através da sua carta de príncipios em actividades educacionais. Muitos citaram também o potencial do Eduspace para ajudar a ultrapassar os baixos níveis de interesse pela ciência e tecnologia nas escolas.

“A educação é uma tarefa mandatária para a ESA”, disse Wubbo Ockels, director do Departamento de Educação da ESA. “O nosso papel é o de combater a diminuição de interesse pela ciência e pela tecnologia entre os jovens.”

“Nós esperamos que a ESA possa assumir o Eduspace e torná-lo ainda mais abrangente e focado nos educadores e nos estudantes, “ disse Valérie Hood, secretária geral da Eurisy. “Estamos satisfeitos por termos realizado esta contribuição concreta, que agora entregamos à ESA.”

Aprender à velocidade de um click

Os professores voltam à escola

Apesar do curto período de existência do Eduspace, os educadores europeus já o estão a usar de algumas formas creativas. Ana Narciso, uma professora da pequena vila de Porto de Mós em Portugal, tem vindo a seguir lições técnicas de observação da Terra e usa-as com um propósito muito distinto daquele para o qual estas foram planeadas, mas que demonstra claramente a capacidade do site em aumentar o contributo das tecnologias espaciais entre os estudantes de áreas não científicas.

“Eu uso o Eduspace para ensinar inglês, “ explicou Narciso. “Os estudantes acham-no fantástico!”

Para Narciso, no entanto, o argumento mais aliciante por trás do Eduspace é a sua nítida natureza colaborativa que permite às escolas participantes estarem ligadas umas às outras como parte do processo educacional. “Eu gostaria de utilizar este website como parte de um processo de ensino à distância – salientar a componente educacional e reduzi-la à distância de um click”, disse ela.

A possibilidade de professores de diferentes disciplinas e países se encontrarem e partilharem as suas experiências é também uma parte importante do Eduspace para Dominique Lambert, que ensina física, química e informática a adolescentes numa escola belga. Ele acredita que a possibilidade de estabelecer contactos pessoais através do Eduspace irá agradar claramente aos seus colegas educadores.

“Ele [o Eduspace] permite que os professores se conheçam, e esse é um toque muito humano“, disse ele.

Estudantes dão também as suas opiniões

EO training for European teachers
Uma sessão de trabalho de campo para testar novas competências

O Eduspace foi desenvolvido por uma pequena equipa liderada por um especialista da ESA em observação da Terra e por um professor do ensino secundário. Diversos educadores forneceram contribuições essenciais relativas ao design e à implementação do site. Se por um lado os professores podem agora disfrutar de novas capacidades educacionais do site do Eduspace, o que é que se passa no que se refere aos alunos?

Maurizio Ravagnana, por exemplo, é um fã incontestável. Tendo recentemente concluido o ensino secundário em Frascati, pretende agora ingressar num curso universitário de medicina. Ele enfatiza o potencial das tecnologias de observação da Terra para ajudar equipas médicas de socorro, por exemplo, através de análises do terreno de áreas remotas onde é necessário auxílio médico de emergência.

“Alguém precisa de falar a mais estudantes acerca disto”, disse ele.

De facto, os alunos estiveram envolvidos no processo de construção do Eduspace desde o início. Claudia Lichtenegger, uma aluna da Escola Suiça de Roma, recorda-se de ver o design inicial do site. “Detestei o design inicial”, disse ela, ao que um dos especialistas em formação da ESA que estão a construir o site acrescentou: “Se queremos que os alunos o usem, tem que lhes interessar.”

Na verdade, Claudia estava a falar com o seu pai, Juerg Lichtenegger, engenheiro da ESA, especialista em exploração da observação da Terra e uma das pessoas que tem desenvolvido mais esforços relativos ao Eduspace.

“Eu escutei”, disse ele.

Para mais informações e esclarecimentos visite o website Eduspace.

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