Insetos espaciais para medir os níveis de coagulação e muito mais

A Estação Espacial Internacional com o Endeavour e o ATV-2
16 Agosto 2012

Graças à ideia de pôr enxames de pequenos robôs a trabalhar numa estação espacial futura, os pacientes em tratamento de coágulos sanguíneos podem em breve ter acesso a um kit de teste caseiro, aqui na Terra.

Há quinze anos, o então estudante Vladislav Djakov começou a construir estas pequenas ‘criaturas’ micro-electromecânicas que imitam os enxames de insetos encontrados na natureza. 

Space bugs prototypes
Protótipos dos insetos espaciais

Equipados com uma fonte de energia, inteligência artificial e sistemas de monitorização, os insetos seriam suficientemente pequenos para transportar material a locais de acesso difícil, como tubos a transportar líquidos na estação espacial.

Estes equipamentos podem monitorizar alterações na temperatura ou escoamento, alertando sobre avarias iminentes.

Para fazer mover os insetos, os cientistas basearam-se em movimentos semelhantes aos dos cílios, imitando mecanismos usados por algumas criaturas do fundo do mar. Cobriram uma das faces do microchip com pequenos braços.

“Poderiam então mover-se como milípedes,” disse Djakov, atualmente Diretor de Sensor Development na Microvisk Technologies.

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No entanto, os insetos espaciais estavam à frente do seu tempo: ainda não passaram da fase de testes.

Mas a abordagem por imitação dos cílios – os braços responsáveis pela locomoção dos bichos – foi mais além.

Spin off espacial

Sensores

A STFC Innovation, o parceiro do Programa de Transferência de Tecnologia da ESA que opera o Centro Harwell de Incubação de Negócios da Agência, no Reino Unido, viu potencial de negócio para o mercado médico e apoiou a formação de uma start-up, a Microvisk, para fazer o spin off da tecnologia. 

Na Microvisk, a equipa de Djakov ajustou os mecanismos dos microchips e colocou os sensores de inteligência artificial nos braços, quase como uns bigodes de gato.

Microvisk’s Micro Electro Mechanical System (MEMS) chip
O microchip da Microvisk

Estes bigodes mostraram ser muito eficazes na monitorização dos líquidos. Detetam alterações na viscosidade e registam materiais em suspensão no líquido.

“Isto é muito interessante para estudar o sangue, plasma, e outros fluidos corporais,” disse Djakov. 

Atualmente, os investidores estão a apostar num aparelho de monitorização da coagulação sanguínea para os pacientes que tomam anti-coagulação: “É como um teste para a diabetes, mas para a trombose.” 

Graças a este medidor de coagulação, o Microvisk CoagLite, os pacientes poderão em breve testar eles mesmos, em casa, com uma picada num dedo.

Microvisk’s hand-held CoagLite coagulometer with test strips
O CoagLite com as tiras de teste

Depois de uma pequena câmara nas tiras de teste ser preenchida de sangue, o pequeno sensor passa pela gota, monitorizando a velocidade de coagulação.

“É necessário menos sangue, o que significa que há menos dor,” disse Djakov, que comparou a facilidade de utilização deste dispositivo à dos medidores de glucose, usados pelos diabéticos. “Os hematologistas têm considerado este equipamento importante.” 

Atualmente em ensaios clínicos, sob a alçada do regulador americano Food and Drug Administration, o coagulómetro deve estar no mercado no próximo ano.

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