Missão Mars500: preparação para abrir a escotilha

Diego looking out from the hatch
31 Outubro 2011

Os 520 dias de isolamento da tripulação da missão Mars500 chegarão ao fim a 4 de Novembro, quando a escotilha da ‘nave espacial’ for aberta pela primeira vez, depois de ter sido encerrada em Junho do ano passado. Os cientistas aguardam pelas análises finais enquanto a tripulação conta as horas até à liberdade.

Durante a missão de 17 meses de simulação de uma viagem a Marte, os seis homens fizeram inúmeras experiências. Monitorizaram os seus cérebros, fizeram scans aos corpos, retiraram todo o tipo de amostras e cuidaram da ‘nave’.

A qualidade única do material recolhido até agora já deixou os cientistas satisfeitos, mesmo assim estão ansiosos por trabalhar com o novo material.

A revelação dos resultados científicos completos demora algum tempo, mas a principal questão já foi respondida – ou quase: «A resposta é sim», diz Patrik Sundblad, o especialista da ESA em ciências da vida.

«Além disso, esta investigação é muito importante para a compreensão de questões clínicas em terra.»

“Sim, a tripulação consegue sobreviver ao isolamento obrigatório para uma viagem de ida e volta a Marte. Psicologicamente, somos capazes de aguentar.

“A tripulação teve os seus altos e baixos, mas isto já era esperado. De facto, estávamos a contar com muito mais problemas, mas a equipa tem-se portado extraordinariamente bem.

“O mês de Agosto foi a fase mais difícil do ponto de vista mental: foi a fase mais monótona da missão, os amigos e a família estavam de férias e não mandavam tantas mensagens e a comida era pouco variada.”

O humor melhorou com o aproximar do final da missão, o fluxo normal de mensagens depois do período de férias e, especialmente, o regresso às comunicações em tempo real, a 15 de Setembro, terminado o retardamento artifical.

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Palavra chave: motivação

«A grande fidelidade da simulação foi um factor importante para o sucesso da experiência,» nota Patrik.

«Simular uma missão a Marte, de uma forma tão real quanto possível em Terra, foi muito importante para a tripulação.

Wang a fazer medições

Saber que esta missão está de facto a ajudar a tornar possível uma verdadeira missão a Marte tornou esta experiência de longa duração num desafio mais fácil para a tripulação.»

Os verdadeiros astronautas terão de enfrentar desafios psicológicos adicionais. Estarão em perigo constante porque não podem simplesmente sair da nave espacial em caso de emergência.

Viajar até tão longe e ver a Terra a transformar-se numa estrela entre muitas outras pode criar uma sensação de separação, que se junta a outros factores de stress.

A ausência de gravidade e a radiação juntam-se aos desafios.

Alguns factores analisados podem ser explorados, em Terra, em estudos de acamados e em tripulações que ficam completamente isoladas na Antártida durante o longo e escuro Inverno.

Treino na Mars500

«Até certo ponto estamos a usar os mesmos questionários psicológicos no Mars500 que usamos com as tripulações da base Concordia durante o Inverno e em estudos com acamados», diz Patrik. «É muito interessante compará-los.»

A missão Mars500 foi muito além do isolamento de seis homens – envolveu a cooperação internacional e a criação de toda uma infra-estrutura em torno da missão.

«A tripulação trabalhou muito bem, quer individualmente quer em equipa e a cooperação cá fora tem sido extraordinária,» nota Patrik.

A Rússia, a China e a Europa tornaram possível esta experiência única.

Esta é uma importante lição para uma futura missão a Marte: não se trata apenas da nave espacial e da sua tripulação, mas também da cooperação em Terra entre todas as equipas e agências espaciais internacionais.»

Romain a recolher amostras de ar na Mars500
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