O Mercury Magnetospheric Orbiter no Large Space Simulator

O mapeador do planeta Mercúrio, da ESA, «sente» o calor

24 Janeiro 2011

Os principais componentes do mapeador da ESA Mercury BepiColombo foram testados num simulador especialmente adaptado ao espaço europeu. O Large Space Simulator, da ESA, é agora o mais poderoso simulador do mundo e o único capaz de reproduzir o ambiente infernal de Mercúrio para uma nave espacial à escala real.

O Mercury Magnetospheric Orbiter (MMO) sobreviveu a uma viagem simulada até ao planeta mais interior do Sistema Solar. A nave octogonal, que é a contribuição do Japão para o BepiColombo, e a sua protecção solar suportaram temperaturas superiores a 350 ° C.

A nave BepiColombo na órbita de Mercúrio

Esta é uma amostra do que está para vir para a nave espacial. A BepiColombo irá deparar-se com dez vezes a potência de radiação recebida por um satélite em órbita da Terra e, para simular isso, o Large Space Simulator (LSS), instalado no centro da ESA, ESTEC, na Holanda, teve de ser adaptado.

Os engenheiros referem-se ao poder do Sol em unidades chamadas a constante solar. Esta é a quantidade de energia recebida por segundo, num metro quadrado, à distância da órbita da Terra.

«Já antes, o LSS tinha sido capaz de simular uma ou duas constantes solares. Foi sendo actualizado para produzir um valor de dez constantes solares», afirma Jan van Casteren, responsável de projecto da ESA.

As melhorias foram conseguidas de duas formas: as lâmpadas do simulador estão a ser utilizadas na sua potência máxima e os espelhos que focam o feixe foram ajustadas.

A BepiColombo sente o calor

Em vez de produzir um feixe de luz de 6 m de comprimento, a luz é agora concentrada num cone de apenas 2,7 m, quando esta atinge a nave espacial. Isso cria um raio tão forte que teve de ser instalado um escudo novo, com uma maior capacidade de refrigeração para "captar"a luz que escapa da nave espacial e evitar que as paredes da câmara aqueçam.

A BepiColombo é constituída por módulos separados. O MMO irá investigar o ambiente magnético de Mercúrio. Durante a sua viagem de seis anos a Mercúrio é o escudo protector que a mantém fresca. Estes são os dois módulos que já completaram os testes térmicos.

«O teste ao escudo foi bem-sucedido. Foi demonstrada a sua função protectora da aeronave MMO durante a viagem», diz Jan.

O MMO e o escudo térmico da BepiColombo a serem testatos no ESTEC

Em Mercúrio, a maior parte do terrível calor do Sol será impedida de penetrar na BepiColombo por mantas térmicas especiais. Estas consistem em múltiplas camadas de material, incluindo uma camada externa de cerâmica branca e várias camadas metálicas, que reflectem tanto calor quanto possível de volta para o espaço.

"Os testes permitiram-nos medir o desempenho da manta térmica. Os resultados permitem-nos fazer alguns ajustes para os testes da Mercury Planetary Orbiter, no próximo ano", diz Jan.

Além da ter de aguentar uma temperatura permanente de 350 ° C, a ESA Mercury Planetary Orbiter (MPO) irá aonde nenhuma nave espacial chegou: a uma órbita baixa elíptica em torno de Mercúrio, de entre cerca de 400 km e 1500 km acima da superfície escaldante do planeta.

Nessa proximidade, Mercúrio é pior do que um prato quente no fogão, libertando radiação infravermelha para o espaço. Assim, a MPO terá que lidar com isso, bem como o calor solar. A MPO começa os ensaios na LSS no verão.

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Os engenheiros e cientistas da BepiColombo discutem a missão
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