O radar ASAR do Envisat revela a extensão de uma enorme maré negra na costa espanhola

A imagem adquirida através do ASAR a 17 de Novembro
22 Novembro 2002

A mancha de óleo do petroleiro acidentado ao largo da costa nordeste espanhola, já se tinha alastrado até à costa espanhola, quando o satélite Envisat da ESA recebeu esta imagem de radar do derrame de petróleo, tinha esta já atingido mais de 150 quilómetros de comprimento, domingo dia 17 de Novembro, às 10h 45m (UCT).

O petroleiro Prestige, que completara já 26 anos de existência, pode ser visto na imagem como um ponto branco luminoso, a cem quilómetros da costa espanhola e os barcos de apoio como pontos brancos mais pequenos em torno do barco. A grande maré negra é claramente identificável pela mancha negra proveniente do barco atingido que se prolonga até à costa nordeste de Espanha.

Esta imagem foi recolhida através do radar ASAR (Advanced Synthetic Aperture Radar), que se encontra a bordo do satélite Envisat lançado pela ESA em Março deste ano. O radar estava a trabalhar com a sua maior abertura, cobrindo uma área de aproximadamente 160 000 quilómetros quadrados

Prestige's oil slick
Outra visão do derrame espanhol a partir do Envisat

Os ventos fortes registados na região fizeram com que os componentes mais "ligeiros" do petróleo se dispersassem rapidamente, enquanto que os mais “pesados” têm estado a boiar à superfície do mar, deixando um rasto negro bem característico. Estes ventos também causaram uma maior mistura do combustível com a água do mar, reduzindo o nível de fuel-óleo na superfície e tornando-o mais difícil de detectar. Se um volume menor de óleo tivesse sido derramado, ou se o derrame tivesse ocorrido mais longe da costa, é possível que estes fortes ventos pudessem ter assegurado a dispersão do óleo de uma forma quase inofensiva, sem um impacto negativo no ambiente costeiro.

Informações divulgadas na imprensa indicam que a mancha de óleo ao longo da costa espanhola é já de 200 km.

Um zoom da imagem de 17 de Novembro

A presença de óleo na superfície do mar causa um abatimento nas pequenas ondas geradas pelo vento. São estas ondas que reflectem o sinal do radar em direcção à sua fonte de emissão. Quando se verifica um abatimento, a potência reflectida medida pelo radar reduz-se, levando a que as manchas de óleo sejam vistas como zonas escuras num mar aparentemente mais luminoso. A mancha atravessa uma linha de navegação principal. O tráfico marítimo nesta linha do mar é identificável através dos numerosos pontos brancos. Os rastos dos barcos que passam ao longo da área atingida aparecem como finas linhas luminosas.

O ASAR faz observações através das nuvens, 24 horas por dia

O ASAR, como qualquer outro sistema de radar localizado no espaço, utiliza uma sua fonte de iluminação própria e opera com comprimentos de onda maiores que os sensores ópticos. Assim torna-se possível observar a superfície da Terra durante a noite e mesmo através de de uma espessa cobertura de nuvens. Esta capacidade única permitiu ao radar ASAR do Envisat a “visão” do derrame de óleo do petroleiro, apesar da intensa chuva e da cobertura de nuvens na região que colocaram obstáculos à cobertura através de instrumentos ópticos.

A recolha através do ASAR foi planeada com base num plano de emergência para o último domingo, dia 17 de Novembro. O Envisat, em conjunto com o satélite ERS-2 da ESA, irá continuar a captar imagens da costa da Galiza e detectar possíveis manchas nas próximas semanas.

Part of an oil slick of several kilometers follows the stricken
Uma visão contrastante do derrame

O petroleiro sofreu os primeiros danos na quarta-feira, dia 13, e estima-se que tenham sido derramadas cerca de 10 000 toneladas neste momento, das 70 000 toneladas que fazem parte da sua carga. Outras tantas 10 000 toneladas de combustível terão também sido derramadas no dia 19, quando o barco se partiu em dois e afundou. De acordo com as notícias divulgadas na imprensa, cerca de 75% da carga petróleo afundou-se com o navio.

Espera-se, procurando pensar de forma optimista, que a carga que restou permaneça dentro dos reservatórios do petroleiro ou acabe por se conservar congelada no fundo oceânico. Se o restante petróleo chegar à superfície, estima-se que a mancha resultante deste desastre venha a ser duas vezes maior que o do Exxon Valdez, em 1999, no Alaska. Nas próximas semanas o Envisat irá monitorizar regularmente toda a área ao longo da costa, para detectar quaisquer rastos de óleo que possam aparecer à superfície do mar, provenientes do petroleiro afundado.

The Barranan beach covered with oil in Arteixo, Spain
Praticamente coberta de petróleo, a praia Arteixo ( nordeste de Espanha). Fotografia tirada a 17 de Novembro.

Para os esperados esforços internacionais de limpeza, o futuras imagens do ERS-2 e do Envisat estarão disponíveis para fazer parte da Carta Internacional Espacial sobre Desastres, que é uma colaboração internacional no sentido de colocar a tecnologia relacionada com detecção remota ao serviço de agências de protecção civil e de outras entidades, para responder a desastres naturais e ecológicos.

A Carta foi activada a 14 de Novembro, pela Unidade da Comissão Europeia para a Protecção Civil e Acidentes Ambientais, para apoiar as autoridades locais em Espanha na monitorização dos derrames de petróleo. Os satélites de outras agências que fazem parte da Carta, incluindo as Agência Espacial Canadiana e a Agência Espacial Francesa, CNES, também têm aquisições de imagens planeadas para a área.

Para uma imagem de alta resolução deste derrame de petróleo, clique aqui.

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