Os satélites de observação da Terra auxiliam nos trabalhos de resgate do Paquistão

Observação das zonas afectadas com o Envisat
6 Setembro 2010

Destruindo praticamente um terço do país, estima-se que as inundações no Paquistão tenham afectado 20 milhões de pessoas. Parte das tarefas de ajuda humanitária inclui a utilização de satélites de observação da Terra para gerar mapas actualizados das zonas afectadas.

A inundações no Paquistão são sem dúvida as mais severas de que há memória. Deixaram centenas de mortos e milhões de pessoas desalojadas ou deslocadas, destruindo povoações inteiras. Teme-se agora que as doenças causadas pelas águas contaminadas possam causar ainda mais vítimas. As Nações Unidas alertaram para o facto de que 3.5 milhões de crianças correm agora o risco de contrair infecções.

Enquanto a Carta Internacional para o Espaço e as Grandes Catástrofes e a iniciativa para a Vigilância Mundial do Meio Ambiente e a Segurança (GMES) estão utilizando os dados de vários satélites de observação da Terra para gerar mapas actualizados que ajudarão as equipas de resgate, o astronauta da ESA Frank De Winne colabora com a UNICEF para proporcionar água potável aos sobreviventes da catástrofe.

Extent of flood 27 August
Extensão das cheias a 27 de Agosto

Os mapas gerados através da Carta são de extrema importância, uma vez que utilizam as observações mais recentes dos satélites para indicar exactamente o alcance das inundações, o que permite às equipas de resgate identificar o melhor caminho para aceder às zonas isoladas. Esta aplicação é fundamental no caso do Paquistão dada a grande extensão da zona afectada.

Os mapas são produzidos com as imagens de radar obtidas por instrumentos como o Radar Avançado de Abertura Sintética (ASAR) a bordo do Envisat, que consegue captar dados através das nuvens e na escuridão, ou por instrumentos ópticos como o Espectrómetro MERIS de Média Resolução, também a bordo do Envisat, ou ainda pelo satélite francês Spot 5.

O projecto SAFER (Serviços e Aplicações de Resposta perante Emergências) da iniciativa GMES está gerando mapas rápidos baseados em observações periódicas dos satélites para analisar a evolução das zonas afectadas.

SAFER é consórcio de 55 organismos europeus, criado para proporcionar ajuda em qualquer tipo de desastre. Além do caso do Paquistão, o SAFER prestou auxílio durante as inundações no Burkina Faso, na África ocidental, na Bulgária ou na Moldávia.

Flood water southeast Pakistan
Um rio a transbordar no Sudeste do Paquistão

Resgatar a população nas inundações é sem dúvida a principal preocupação, à qual se segue a tarefa de proporcionar à população deslocada água potável, alimentos e abrigo – um preocupação especial de Frank De Winne, que teve a oportunidade de observar a Terra a partir da Estação Espacial Internacional e pôde apreciar a fragilidade do nosso planeta.

Além de astronauta, Frank é um Embaixador da Boa Vontade da UNICEF Bélgica, e juntamente com a ESA, apoia a campanha ‘WaSH’ dedicada à água, à sanidade e à higiene, desde a sua missão OasISS a bordo da Estação Espacial Internacional.

Frank De Winne
Frank De Winne

«A água é um recurso muito escasso nesta região devastada e torna-se crucial para a sobrevivência e para o bem-estar de milhões de crianças. A disponibilidade de água potável também é um aspecto fundamental na vida a bordo da Estação Espacial Internacional», explica Frank. «A tecnologia desenvolvida para filtrar e reciclar a água nas missões espaciais pode trazer soluções para este problema. Como Embaixador da Boa Vontade, apoio esta causa e espero sinceramente que possamos ajudar as crianças do Paquistão». Se deseja contribuir para a ajuda humanitária da UNICEF Bélgica, visite www.unicef.be

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