Programa Dragon: A ESA e a China iniciam um projecto conjunto de observação da Terra

28 Abril 2004

Mais de uma centena de prestigiados cientistas europeus e chineses reuniram-se esta semana na cidade insular de Xiamen para iniciarem o Programa Dragon - uma iniciativa de investigação de ampla escala, que utiliza os dados de observação da Terra da ESA concentrando-se na China.

O enorme tamanho e variedade deste vasto país fazem com que os satélites sejam particularmente úteis para o seu estudo. Os 9,6 milhões de quilómetros quadrados do território chinês variam desde os picos dos Himalaias até às terras baixas tropicais. A China abriga um em cada cinco humanos vivos, e é a segunda maior economia - e a de mais rápido crescimento - do mundo.

O Programa Dragon é um trabalho conjunto entre a ESA, o Ministério de Ciência e Tecnologia (MDCT) da China e o Centro Nacional de Detecção Remota da China (CNDRC). O objectivo é encorajar a exploração crescente dos recursos espaciais da ESA na China, bem como estimular, de forma crescente, a cooperação científica entre a China e a Europa no campo da ciência e da tecnologia de observação da Terra.

O Programa Dragon foi iniciado no seguimento de uma reunião que teve lugar em Paris, em Setembro de 2003, entre o Sr. Jean-Jacques Dordain, Director da ESA e o Prof. Xu Guahana, Ministro da Ciência e Tecnologia da República Popular da China.

No dia 27 de Abril, terça-feira, teve lugar um simpósio de três dias em Xiamen que marcou, formalmente, o pontapé de saída da iniciativa. As equipas de investigação sino-europeias participantes estão a ser acompanhadas pelo Director da ESA para os Programas de Observação da Terra, Professor Jose Achache, e pelo Sr. Zhang Guocheng, Subdirector Geral do CNDRC.

"A tecnologia da detecção remota possui uma enorme quantidade de aplicações potenciais, incluindo a avaliação e controlo de recursos e a resposta a desastres naturais”, disse Guocheng. “A ESA ocupa uma posição vantajosa neste campo, e o Programa Dragon promete a revelação de novos campos para a cooperação MDCT-ESA, bem como a ajuda no desenvolvimento da detecção remota aplicada no interior da China."

Durante o tempo de vida de três anos do Programa Dragon, os dados provenientes do Envisat e de outros satélites da ESA serão utilizados em colaborações entre as equipas de investigação europeias e chinesas. Estas colaborações serão realizadas em áreas temáticas acordadas pela ESA e pela China, e incluem assuntos como o controlo de arroz e o mapeamento das florestas, avaliação dos recursos de água e previsões de inundações, medições da qualidade do ar e expansão dos desertos.

O Prof. Fabio Rocca do Politécnico de Milão, Itália, é o Investigador Co-Principal juntamente com o Prof. Deren Li, da Universidade de Wuhan, num projecto para medir com exactidão o movimento e a topografia do solo utilizando dados de radar da ESA. A Interferometria do Synthetic Aperture Radar (SAR) – ou InSAR, para abreviar – envolve a combinação de duas ou mais imagens de radar do mesmo local, o que permite obter medições muito precisas do movimento do solo ocorrido entre duas aquisições.

"A subsidência é um problema em muitas áreas da China," disse Rocca. "As tecnologias europeias permitem a sua medição ao nível do milímetro com custos muito baixos, tornando-o num assunto interessante para um futuro desenvolvimento conjunto.”

"O trabalho conjunto permite-nos combinar a eficácia da detecção remota com a análise profunda das condições do solo, para criar protocolos de interpretação e de reacção rápida a novos dados. Gostaríamos de desenvolver ferramentas para utilização imediata pelas agências de protecção civil.”

"O Programa Dragon é valioso, como um todo, porque permite estabelecer contactos mais próximos com a China, um país gigantesco com milhares de cientistas experientes, assim como um programa espacial bem desenvolvido e onde a detecção remota é um factor importante para um desenvolvimento mais rápido e seguro."

Já foi iniciado um programa de intercâmbio de estudantes, com dois alunos da Academia Florestal Chinesa em Pequim a estudarem técnicas de mapeamento de florestas baseado em radar no Instituto Europeu de Investigação Espacial (ESRIN) da ESA em Frascati, Itália.

As florestas cobrem um sétimo da China. Os dados de radar, como os fornecidos pelo instrumento Advanced Synthetic Aperture Radar (ASAR) do Envisat, possibilitam um controlo mais preciso das florestas através da utilização da InSAR.

Quando são combinadas várias imagens com esta técnica, as áreas arborizadas ficam distintas permitindo que os estudiosos classifiquem a altura do coberto florestal, a densidade e mesmo as espécies.

Serão utilizadas técnicas semelhantes baseadas em radar para controlo do arroz e da agricultura. Os dispositivos de radar são especialmente úteis para esta última tarefa, porque os campos têm de ser inundados durante a transplantação e as etapas de crescimento do arroz, e o radar pode distinguir muito bem o solo alagado. Além disso, o radar pode ver através das nuvens que obscurecem a visão dos satélites ópticos sobre as áreas de crescimento do arroz.

O Prof. Associado Tan Bingxiang da Academia Florestal Chinesa em Pequim, está a trabalhar como Investigador Co-Principal do projecto de controlo do arroz com o Dr. Thuy Le Toan da Université Paul Sabatier em Toulouse.

"A probabilidade de aquisição de dados ópticos de detecção remota sem nuvens é de apenas 1% durante o período de crescimento dos cereais no sul da China," comentou Bingxiang. "Isto torna muito difícil controlar em tempo real o crescimento dos cereais e estimar a produção de arroz.”

"Por isso, a detecção remota por radar é a escolha óbvia como a origem de dados mais apropriada para o controlo da agricultura e para a estimativa da produção de cereais."

Os modelos de previsão da produção de arroz serão testados através da utilização dos dados recebidos do ASAR e também dos dados ópticos multiespectral obtidos do Medium Resolution Imaging Spectrometer (MERIS) do Envisat.

O Scanning Imaging Absorption Spectrometer do Envisat para Atmospheric Cartography (SCIAMACHY) também estudará as variações sazonais das emissões de metano dos campos de arroz alagados – dados úteis para a melhorar a precisão dos modelos de alterações climatéricas.

A agricultura da China é altamente dependente da Monção do Sudeste Asiático que trás, em cada Verão, chuvas vitais para as regiões rurais.

O Prof. Johnny Johannessen do Centro Nansen de Detecção Remota e Ambiental da Noruega e o Prof. Hui-Jun Wang do Instituto de Física Atmosférica da Academia das Ciências chinesa são os Investigadores Co-Principais de um projecto de estudo das monções e das águas oceânicas daí provenientes, como um sistema interligado.

O objectivo do projecto é melhorar a capacidade de monitorar e simular os processos conjugados que geram as monções de erão na China.

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