Rosetta encontra-se com asteróide Lutécia

Os asteróide Lutécia será diferente do Steins ( aqui na foto )
16 Junho 2010

O caça-cometas da ESA, Rosetta, está rumo a um encontro com o asteróide Lutécia. A Rosetta ainda não sabe qual é o aspecto de Lutécia mas, bonito ou não, os dois irão conhecer-se a 10 de Julho.

Tal como em muitos primeiros encontros, a Rosetta vai encontrar-se com Lutécia no Sábado à noite, viajando até a uma distância de 3200 Km do rochedo. A Rosetta tem estado a captar dados de posicionamento do Lutécia desde o final de Maio de forma a que os controladores em terra possam determinar quaisquer correcções de trajectória necessárias para atingir a distância de passagem desejada.

A passagem vai permitir obter duas horas de boas imagens. A nave irá começar a enviar os dados imediatamente para a Terra e a primeira imagem será revelada ainda na noite de Sábado.

A Rosetta passou pelo asteróide Steins em 2008 e outras missões espaciais têm-se deparado com diversos asteróides. Cada um deles revelou ter características únicas e espera-se que o Lutécia mantenha a tendência.

A Rosetta encontrou-se com o Steins em 2008

Para começar, ninguém sabe qual é o seu aspecto. Em órbita na principal cintura de asteróides, entre Marte e Júpiter, aparece como um simples ponto de luz nos telescópios terrestres. A variação contínua da sua luminosidade torna claro que o Lutécia está a rodar e tem uma superfície irregular. Estas observações tornam possível aos astrónomos estimar a sua forma e tamanho, mas sem grande consenso.

Inicialmente pensava-se que o Lutécia tinha 95 km de diâmetros e era ligeiramente elíptico. Estimativas mais recentes sugerem 134 Km, com um alongamento pronunciado. A Rosetta vai tirar as dúvidas quanto a isto, além de investigar a composição do asteróide, que, para já, é mais um mistério.

O destino final da Rosetta é o cometa Churyumov-Gerasimenko

Qualquer destes valores apontam para um asteróide bastante grande. Os cientistas planetários acreditam que se trata de um asteróide primitivo, deixado na prateleira por milhões e milhões de anos, já que nenhum planeta o consumiu durante a formação do Sistema Solar. Aliás, a maior parte das medições parecem suportar esta imagem, classificando o asteróide como um tipo-C, contendo compostos primitivos de carbono.

No entanto, algumas medições sugerem que o Lutécia pertence ao tipo-M, o que poderia significar que tem metal à superfície. «Se o Lutécia for um asteroide metálico então estamos perante um verdadeiro vencedor», diz Rita Schulz, directora de projecto da ESA do Rosetta.

E isto porque apesar de existirem de facto asteróides metálicos, pensa-se que sejam fragmentos do núcleo metálico de asteróides maiores que se desfizeram em pedaços. Se o Lutécia é feito de metal ou contém grandes quantidades de metal, a tradicional classificação de asteróides terá de ser repensada, diz Schult: «Os astaróides de classe C não deveriam ter metal à superfície».

A nave Rosetta

A ciência dos asteróides ficará a ganhar quando esta questão for resolvida já que a Rosetta irá fornecer uma valiosa colecção de dados, do terreno, que poderão ser usados para resolver dúvidas decorrentes de observações terrestres, não só relativamente ao Lutécia, mas também para outros asteróides.

Durante 36 horas, em torno do momento da aproximação, a Rosetta estará em contacto praticamente contínuo com a terra. As únicas interrupções acontecerão nos momentos em que for preciso trocar de estação de seguimento da nave, em virtude da rotação da Terra.

É essencial manter o bom contacto já que as incertezas na posição e na forma do asteróide podem exigir afinações de último minuto de forma a mantê-lo centrado durante a aproximação. «O esqueleto da operação está montado e temos a capacidade de actualizar os planos a qualquer momento,» diz Andrea Accomazzo, Director de Operações da Rosetta.

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