SMOS – Uma estrela no céu

SMOS em órbita
3 Novembro 2009

Depois de ter sido lançado a 2 de Novembro, a Agência Espacial Francesa, CNES, responsável pelas operações do satélite SMOS, confirmou que as três antenas do instrumento se tinham aberto como previsto, e que o instrumentos está de boa saúde.

Durante o lançamento e as primeiras órbitas à volta da Terra as antenas do satélite de Medição da Hidratação do Solo e da Salinidade do Oceano (SMOS) mantiveram-se fechadas, em segurança. Agora que abriram formam uma grande estrela de três pontas. Com a sua forma invulgar, com oito metros de largura, o SMOS pode ser chamado de «uma estrela no céu».

O instrumento do SMOS é o MIRAS – de Microwave Imaging Radiometer with Aperture Synthesis – e é na verdade maior do que a própria plataforma do satélite. Consiste numa parte central e nos três braços que se abriram recentemente. Esta operação é crucial para o sucesso da missão já que nos braços estão os equipamentos de medição chave: a maior parte dos 69 pequenos receptores, chamados LICEFs.

Abertura das antenas do MIRAS

Para a aquisição de dados acerca da hidratação do solo e da salinidade dos oceanos cada uma das antenas receptoras LICEF mede a radiação emitida a partir da superfície da Terra na «banda-L», numa frequência de 1,4GHz. Esta frequência oferece a melhor sensibilidade a variações na hidratação do solo e a mudanças na salinidade da superfície das águas marítimas. Além disso, esta frequência não é muito afectada pelo clima, atmosfera e vegetação.

De forma a que seja alcançada a resolução exigida pelos utilizadores, o instrumento MIRAS usa um novo tipo de tecnologia. Em circunstâncias normais, a medição destas duas variáveis ambientais em banda-L exigiria uma antena enorme – demasiado grande para ser transportada por um satélite. Para ultrapassar este problema, a missão SMOS recorreu a técnicas usadas em radio-astronomia.

Mission Control at CNES
Controlo da missão no CNES

Os radio-astrónomos, que procuram objectos celestes indetectáveis em astronomia óptica, também enfrentaram o desafio de detectar pequenos sinais de fontes no espaço com uma grande comprimento de onda, exigindo uma grande antena. Uma vez que os sinais são detectados como ondas, os sinais dos diferentes telescópios podem ser somados para sintetizar o efeito de um telescópio muito maior. Para conseguir isto, os radio-astrónomos combinaram 27 radio-telescópios, cada uma com 25 metros de diâmetro, e dispuseram-nos em Y, numa extensão máxima de 35 km. Esta instalação é conhecida como Very Large Array, no Novo México, Estados Unidos.

Tal como o Very Large Array, o instrumento do SMOS também tem a forma de um Y e por um processo de interferometria as 69 antenas receptoras imitam uma antena muito maior.

O SMOS parece-se com o Very Large Array

A abertura dos braços do SMOS é mais um importante passo para a missão da água da ESA. O satélite passará agora por uma série de verificações, durante os próximos seis meses. Até agora todos os sinais apontam para o sucesso desta segunda missão de exploração da Terra da ESA, de modo a que o satélite possa contribuir para a compreensão do ciclo da água na Terra.

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