Satélite Planck reformou-se

PLANCK
Mapeando a radiação cósmica de fundo
28 Outubro 2013

O satélite Plank, que mapeou a radiação relíquia do Big Bang - radiação cósmica de fundo, ou CMB na sigla inglesa - com detalhes sem precedentes, terminou a sua missão quarta-feira, 23 de outubro. 

Antes de o “desligarem” definitivamente os controladores da missão Planck dispararam dias antes, a 19 de outubro, os propulsores do satélite para esvaziarem os seus reservatórios de combustível. Este foi um dos passos finais para garantir que o Planck terminava a sua missão de enorme sucesso de forma completamente segura.

Um dos dois instrumentos do Planck, o instrumento de alta frequência HFI, esgotou a sua reserva de hélio líquido em janeiro de 2012. Nessa altura o Planck já tinha completado cinco observações completas do céu usando tanto o HFI como o par deste detetor, o instrumento de baixa frequência LFI. 

Desde janeiro de 2012, a missão realizou mais três observações com o LFI, permitindo aos cientistas refinar os seus dados sobre a CMB. Todas as tarefas científicas chegaram, finalmente, ao fim a 3 de outubro.

Eliminação segura

“Nas últimas semanas, temos estado a trabalhar para preparar o Planck para a sua eliminação permanente de forma segura”, diz Steve Foley, gestor do programa de Operações com Veículos Espaciais da ESA, no Centro Europeu de Operações Espaciais, em Darmstadt, Alemanha.

Deputy Flight Operations Director A. Rudolph in Main Control Roo
Andreas Rudolph no lançamento do Planck em 2009

“Isso inclui a 'passivação' da nave e colocá-la numa trajetória que a irá manter numa órbita de estacionamento em torno do Sol, muito longe do sistema Terra-Lua, durante centenas de anos." 

Este procedimento é muito semelhante ao que foi usado para o Herschel, a missão “irmã” do Planck, que foi desactivada em junho. 

“Estas são as duas primeiras missões em que a ESA voou no cientificamente valioso ponto de Lagrange L2, por isso é importante estabelecer um bom precedente sobre a forma como terminamos estas missões”, diz Andreas Rudolph, responsável pelas operações de missão astronomia no ESOC.

Procedimentos complexos a 1.500 mil quilómetros de distância

A 9 de outubro, os controladores “ordenaram” ao Planck que realizasse um longa manobra de dois dias para se afastar do ponto de Lagrange Terra-Sol e começar uma lenta deriva da sua distância da Terra.

O Planck a navegar no ponto L2

A 21 de outubro, os propulsores foram novamente ligados para queimar o combustível que ainda restava, um passo importante para tornar a nave espacial inerte como é exigido pelos protocolos de mitigação de detritos espaciais da ESA. 

“Programámos o software de bordo para que o Planck não tente reativar automaticamente os transmissores, desligámos as baterias e desativámos os mecanismos de proteção a bordo”, disse Steve.

“O passo final foi o simples ato de desligar os transmissores. O Planck foi silenciado e nunca mais iremos receber um sinal dele. Isto é importante porque não podemos causar interferência de rádio para qualquer missão no futuro.”

Este último passo aconteceu quarta-feira, 23 de outubro, durante uma pequena cerimónia, na qual Jan Tauber, cientista do projeto da ESA que dedicou mais de uma década e meia à missão Planck, enviou o comando final.

Último comando enviado por 'voluntário'

“No ESOC, o nosso objetivo é manter as missões vivas e produtivas, por isso o envio de um comando de encerramento é muito difícil”, diz Paolo Ferri, chefe de operações da missão. 

“O fim desta notável missão científica já estava previsto terminar quando a reserva de hélio líquido se esgotasse, mas pareceu-nos apropriado que fosse um colega da equipa científica a enviar o comando final, que de uma vez por todas silenciou a nave espacial Planck.”

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