Segundo Natal espacial para a ESA: Huygens prestes a iniciar a sua viagem final para Titã

7 Dezembro 2004

Actividades previstas para os Media
ESA PR 63-2004.Um ano após a chegada da Mars Express a Marte, as poderosas regras da mecânica celestial definiram novamente o Natal como a data para uma importante missão da ESA no espaço profundo.

A 1,25 biliões de quilómetros da Terra, após 7 anos de viagem através do sistema Solar, a sonda Huygens da ESA está prestes a separar-se do veículo orbital Cassini para entrar numa trajectória balística em direcção a Titã, a maior e mais misteriosa lua de Saturno, para mergulhar na sua atmosfera a 14 de Janeiro. Será o primeiro objecto fabricado pelo homem a explorar in-situ este ambiente único, cuja composição química se presume ser muito semelhante à atmosfera daTerra primitiva, antes do aparecimento de vida, há 3,8 biliões de anos.

O par Cassini-Huygens, uma missão conjunta conduzida pela NASA, a ESA e a Agência Espacial Italiana (ASI), foi lançado no espaço a 15 de Outubro de 1997. Com o auxílio de diversas manobras assistidas pela gravidade durante as aproximações a Vénus, Terra e Júpiter, foram precisos cerca de 7 anos para o satélite atingir Saturno. O veículo orbital Cassini, que transporta a Huygens, foi colocado em órbita em torno de Saturno a 1 de Julho de 2004 e começou a investigar o planeta dos anéis e as suas luas para uma missão que durará pelo menos quatro anos.

A primeira vez que sobrevoou à distância Titã foi a 2-3 de Julho de 2004. Este sobrevoo forneceu dados sobre a atmosfera de Titã que foram confirmados pelos dados obtidos durante o primeiro sobrevoo próximo que teve lugar a 26 de Outubro de 2004 a uma altitude de 1174 km. Estes dados foram utilizados para validar as condições de entrada da sonda Huygens. Um segundo sobrevoo próximo a Titã de Cassini-Huygens, a uma altitude de 1200 km, está programado para 13 de Dezembro e fornecerá dados adicionais para reforçar a validação das condições de entrada da sonda Huygens.

A 17 de Dezembro o veículo orbital será colocado numa rota de colisão controlada com Titã, a fim de lançar a Huygens na trajectória correcta e, a 21 de Dezembro (algumas datas e horas estão sujeitas a pequenos ajustes por motivos operacionais, à excepção da hora de entrada a 14 de Janeiro, que se sabe ter uma precisão inferior a 2 minutos), todos os sistemas serão programados para a separação e os temporizadores da Huygens serão programados para "acordar" a sonda algumas horas antes da chegada a Titã.

Prevê-se que a sonda Huygens se separe de Cassini na manhã de 25 de Dezembro por volta das 05:08 CET. Uma vez que o veículo orbital tem que atingir a localização exacta para a separação, não existe telemetria disponível em tempo real até que a antena principal se vire de novo para a Terra e emita os dados gravados da separação. Demorará mais de uma hora (67 min.) até que os sinais nos cheguem à Terra. Os dados finais que irão confirmar a separação estarão disponíveis mais tarde no dia de Natal.

Após a separação, a Huygens afastar-se-á de Cassini a uma velocidade de cerca de 35 cm por segundo e, para se manter na trajectória, girará sobre o seu próprio eixo, efectuando cerca de 7 rotações por minuto. A Huygens não comunicará com o Cassini durante todo este período; a comunicação só se efectuará após a abertura do pára-quedas principal a seguir à entrada na atmosfera de Titã. A 28 de Dezembro, o Cassini irá então afastar-se da trajectória de colisão para prosseguir a sua missão e preparar-se para receber os dados da Huygens, que serão gravados para serem depois reproduzidos para a Terra. A

Huygens permanecerá inactiva até algumas horas antes da chegada a Titã a 14 de Janeiro. A entrada na atmosfera está programada para as 11:15 CET. Prevê-se que a Huygens complete a sua descida em cerca de duas horas e 15 minutos, transmitindo os dados científicos para o veículo orbital Cassini que, por sua vez, os transmitirá depois para a Terra ao fim da tarde. Se a Huygens, que foi concebida como uma sonda atmosférica e não como um módulo de aterragem, sobreviver ao impacto com a superfície de Titã, pode fornecer até 2 horas de dados bonus antes de perder o contacto com o Cassini.

Os sinais de rádio da Huygens atingirão directamente a Terra após 67 minutos de viagem intraplanetária à velocidade da luz. Um grupo de cientistas preparou uma experiência que utiliza um conjunto de rádio-telescópios colocados no oceano Pacífico para tentar detectar qualquer som ténue da Huygens. Se a experiência for bem sucedida, a detecção antecipada não deverá ocorrer antes das 11:30 CET.

A Agência Espacial Europeia detém e gere a sonda Huygens e está encarregada das operações da sonda a partir do seu centro de controlo em Darmstadt, na Alemanha. O Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA em Pasadena, na Califórnia, concebeu, desenvolveu e montou o veículo orbital Cassini. A Deep Space Network da NASA, também gerida pelo JPL, disponibilizará apoio às comunicações através do veículo orbital Cassini, retransmitindo-as para o centro de controlo da ESA em Darmstadt para processamento. A Agência Espacial Italiana forneceu a antena de alto ganho instalada no veículo orbital Cassini, a maior parte dos sistemas de rádio e elementos de vários instrumentos científicos de Cassini. A carga útil da Huygens foi fornecida por equipas como o CNES, DLR, ASI e PPARC e, fora da Europa, pela NASA.

Para obter informações mais pormenorizadas sobre os eventos previstos para os Media consulte o comunicado de imprensa em Inglês: http://www.esa.int/export/esaCP/Pr_63_2004_p_EN.html

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