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    Stocks de atum fortemente atingidos pelo derrame do Golfo

    Extensão do derrame em meados de Maio
    19 Outubro 2010

    O derrame de petróleo no Golfo do México não podia ter ocorrido em pior altura para o atum-rabilho: tinham chegado à região para a desova. Os satélites estão agora a ajudar a avaliar os danos do desastre no habitat do peixe.

    O gigante do Atlântico, um dos maiores peixes, capaz de atingir o tamanho de um Volkswagen Beetle, vem para o Atlântico, todos os anos, de Janeiro a Junho. O pico da época de reprodução no Golfo é Abril e Maio – precisamente quando 10 milhões de litros de petróleo por dia estavam a ser derramados nos mares, na sequência da explosão da torre petrolífera Deepwater Horizon, a 20 de Abril.

    O peixe, de grande valor comercial, reproduz-se em águas superficiais, com as fêmeas a libertarem os ovos e os machos a segui-los para os fertilizarem. A presença de petróleo na superfície pode danificar os ovos, as larvas e até os adultos. Com os stocks de atum no Atlântico ocidental a decrescer a uma taxa de 82% nos últimos 30 anos é imperativo que a espécie possa reproduzir-se sem interferências.

    Na região do Golfo há duas regiões principais de reprodução: uma a noroeste e uma a nordeste, o que coincide com a região do derrame.

    Num esforço de salvaguardar as zonas de desova, a Ocean Foundation – uma organização sem fins lucrativos envolvida na protecção dos oceanos e das suas espécies – precisou de saber quais os habitats da região nordeste que tinham sido mais afectados.

    Impacto do derrame nas regiões de desova

    Isto exigiu conhecer com exactidão a extensão do derrame e as regiões que ofereciam condições favoráveis à desova.

    Dados de radar do satélite da ESA Envisat e outros europeus e internacionais foram usados para produzir mapas semanais com a localização, forma e tamanho da mancha de petróleo.

    Para simular os habitats de desova e desenvolvimento da larva, os cientistas usaram atuns marcados electronicamente e um modelo oceânico baseado em temperaturas oceânicas medidas, alturas da superfície do mar medidas com altímetros no radar do Envisat e do satélite Jason, da NASA, e ainda informação sobre a cor da água obtida a partir do MERIS, no Envisat, e do MODIS, no Aqua da NASA. A cor da água pode dar uma indicação acerca da presença de plâncton para o atum se alimentar.

    Sobrepondo os mapas com a extensão do derrame e índex de desova do habitat foi possível ver onde e com que frequência o derrame e os habitats se sobrepuseram entre 20 de Abril e 29 de Agosto.

    Logo a seguir à fecundação, a larva começa a procurar comida, junto à superfície. Isto significa que a presença de petróleo aí é potencialmente fatal para organismos tão pequenos.

    Uma vez que a área do derrame e os habitats preferenciais para a desova coincidiram no final da época reprodutiva, os investigadores contabilizaram o efeito do derrame, concluindo que o desastre foi responsável por uma diminuição de 20% no número de novos atuns.

    Pelas observações de satélite, conclui-se que, felizmente, os locais de reprodução no oeste não foram, aparentemente, afectados pela poluição.


    Affected shoreline
    Linha de costa afectada

    «Esta análise vai ajudar-nos a aumentar o nível de conhecimento do impacto destes eventos, guiando-nos no desenvolvimento e recomendação de políticas», disse David Guggenheim, da Ocean Foundation.

    «Além disso, esta análise e a sua abordagem representam uma ferramenta de nova geração que pode ajudar os investigadores e decisores no caso de enfrentarmos um desastre semelhante no futuro.»

    Quando o poço Deepwater Horizon foi finalmente selado a 15 de Julho, tinham sido derramados 750 milhões de litros de crude no Golfo.

    Os satélites de observação da Terra tiveram um papel muito importante na compreensão da tragédia. Alguns dias após a explosão, os satélites começaram a monitorizar a situação e a fornecer dados quase em tempo real às autoridades americanas envolvidas nos esforços de limpeza.

    Agora os satélites estão a ajudar os cientistas a responder às questões mais decisivas relativamente às consequências do derrame. Mapas baseados em dados da ESA também documentam os efeitos de derrame nos habitats costeiros e nos locais de reprodução das tartarugas.

    A protecção dos habitats naturais está esta semana em destaque na COP 10 – Convenção para a Diversidade Biológica das Nações Unidas – que está a decorrer em Nagoya, no Japão. A ESA está a participar na COP10 com um expositor e um evento lateral.

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