Vénus ganha vida no ultra-violeta e no infra-vermelho

Venus in the ultraviolet
5 Dezembro 2008

À vista humana, Vénus não passa de um discreto ponto amarelo. Mas à luz ultravioleta e infravermelha, o planeta gémeo da Terra ganha vida. Novas imagens obtidas a partir de instrumentos a bordo da nave da ESA, Venus Express, revelam a atmosfera turbulenta do planeta.

Com a Venus Express, é possível comparar o aspecto do planeta em diferenetes comprimentos de onda, uma potente ferramenta para os cientistas estudarem as condições físicas e a dinâmica da atmosfera do planeta.

Venus in the ultraviolet and the infrared
Venus in the ultraviolet and the infrared

Visto aos ultravioletas, Vénus apresenta númerosos contrastes. A causa disso é a distribuição não homogénea de um químico presente na atmosfera e que absorve a luz ultra-violeta, criando zonas claras e escuras.

O ultravioleta revela a estrutura das nuvens e as condições dinâmicas na atmosfera, enquanto o infra-vermelho fornece informação acerca da temperatura e da altitude do topo das nuvens.

Altimetry of the cloud tops
Altimetry of the cloud tops

Com os dados da Venus Express, os cientistas descobriram que as regiões equatoriais de Vénus, que aparecem a escuro na luz ultravioleta, são áreas de temperatura relativamente elevada, onde convecção intensa transporta materiais escuros vindos de baixo. Por oposição, as regiões claras nas latitudes médias são áreas onde a temperatura na atmosfera diminui com a profundidade.

A temperatura atinge um mínimo no topo das nuvens suprimindo a mistura vertical. Este anel de ar frio, apelidado de «colar frio», surge como uma banda brilhante nas imagens ultravioletas.

Foram usadas observações no infravermelho para mapear a altitude do topo das nuvens. Surpreendentemente, quer nos trópicos escuros, quer nas claras latitudes médias, as nuvens estão a uma altitude de cerca de 72 Km.

Nos 60º sul, os topos das nuvens começam a afundar, atingindo um mínimo de 64 Km, e forma-se um gigantesco furacão no pólo.

Venus’s southern hemisphere
Venus’s southern hemisphere

Neste mosaico, a imagem infravermelha está sobreposta à ultravioleta, evidenciando o gigantesco furacão no pólo sul do planeta. O seu centro está deslocado relativamente ao polo e a estrutura completa tem cerca de dois mil quilómetros de comprimento, rodando em torno do pólo em dois dias e meio.

Este estudo, conduzido por D. Titov e colegas, mostrou que a temperatura variável e as condições dinâmicas no topo das nuvens de Vénus são a causa do padrão ultravioleta global.

Venusian cloud top structure
Venusian cloud top structure

No entanto, a substância química que cria as zonas de forte contraste continua a ser um mistério, por isso a busca continua.

Nota para os editores

Estes resultados aparecem em ‘Atmospheric structure and dynamics as the cause of ultraviolet markings in the clouds of Venus’ by D. Titov et al., publicado a 4 Dezembro 2008, na revista Nature.

Mais informações:

Dmitri Titov, Max Planck Institute for Solar System Research
Germany
Email: Titov @ mps.mpg.de

Håkan Svedhem, ESA Venus Express Project Scientist
Email: Hakan.Svedhem @ esa.int

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