Ver, tocar e cheirar Titã, um mundo extraordinariamente semelhante ao da Terra

25 Janeiro 2005

ESA PR 05-2005. No dia 14 de Janeiro a sonda Huygens da ESA desceu, pela primeira vez na história, à superfície de Titã, a maior lua de Saturno, situada a 1,2 mil milhões de quilómetros da Terra. A Huygens viajou para Titã no âmbito da missão conjunta Cassini-Huygens da ESA/NASA/ASI. Começando a cerca de 150 quilómetros de altitude, os seis instrumentos multi-funções a bordo da Huygens gravaram dados não só durante a descida como também na superfície. As primeiras avaliações científicas dos dados da Huygens foram apresentadas durante uma conferência de imprensa na sede da ESA em Paris no dia 21 de Janeiro.

"Temos agora a chave que nos permitirá perceber o que molda a paisagem de Titã," afirmou o Dr. Martin Tomasko, Investigador Principal para o Sistema de Imagens de Descida/Radiómetro Espectral (DISR), acrescentando: "As provas geológicas de precipitação, erosão, abrasão mecânica e actividade fluvial indicam que os processos físicos que moldam Titã são muito parecidos com os que moldam a Terra."

As espectaculares imagens captadas pelo DISR revelam que Titã possui uma meteorologia e uma geologia extraordinariamente semelhantes às da Terra. As imagens revelaram uma complexa rede de canais de drenagem estreitos, fluindo de terras altas mais luminosas para regiões escuras, mais baixas e mais planas. Estes canais fundem-se em sistemas fluviais que correm para lagos caracterizados por 'ilhas' e 'baixios' ao largo da costa, notavelmente semelhantes aos da Terra.

Os dados fornecidos, em parte, pelo Cromatógrafo de Gás e Espectómetro de Massa (GCMS) e pelo Pacote de Ciência de Superfície (SSP) corroboram as conclusões do Dr. Tomasko. Os dados da Huygens fornecem fortes provas do fluxo de líquidos em Titã. O fluido envolvido é, no entanto, o metano, um composto orgânico simples que pode existir sob a forma líquida ou gasosa às temperaturas de Titã, inferiores a -170°C, em vez de água, como acontece na Terra.

Os rios e os lagos de Titã parecem estar actualmente secos, mas é possível que tenha chovido ainda não há muito tempo.

Os dados de desaceleração e penetração fornecidos pelo SSP indicam que o material subjacente à crosta da superfície tem a consistência de areia solta, possivelmente o resultado da queda de chuva de metano sobre a superfície ao longo de milhões e milhões de anos, ou da penetração de líquidos desde o solo até à superfície.

O calor gerado pela Huygens aqueceu o solo por debaixo da sonda e tanto o GCMS como o SSP detectaram erupções de gás metano através do material da superfície em ebulição, reforçando o papel principal do metano na geologia e meteorologia atmosférica de Titã -formando nuvens e precipitação, responsáveis pela erosão e abrasão da superfície.

Além disso, as imagens de superfície do DISR mostram pequenas pedras redondas no leito de um rio seco. As medições espectrais (cor) são consistentes com uma composição de gelo hídrico sujo, em vez de rochas silicatadas. E todavia, devido às rígidas temperaturas de Titã, parecem ter a mesma consistência de rochas.

O solo de Titã parece ser constituído, pelo menos em parte, por depósitos precipitados da névoa orgânica que envolve o planeta. Este material escuro acumula-se na atmosfera. Quando é eliminado das altas elevações pela chuva de metano, concentra-se no fundo dos canais de drenagem e nos leitos dos rios, contribuindo para as zonas escuras vistas nas imagens do DISR.

Novas e fantásticas provas baseadas na descoberta de argão 40 na atmosfera indicam que Titã teve actividade vulcânica, a qual gerou não lava, como na Terra, mas sim gelo hídrico e amoníaco.

Assim, embora ocorram em Titã vários processos geofísicos familiares da Terra, a química envolvida é bastante diferente. Em vez de água em estado líquido, Titã tem metano líquido. Em vez de rochas silicatadas, Titã tem gelo hídrico congelado. Em vez de sujidade, Titã tem partículas de hidrocarbonetos acumuladas na atmosfera e, em vez de lava, os vulcões de Titã cospem gelo muito frio.

Titã é um mundo extraordinário cujos processos geofísicos, semelhantes aos da Terra, actuam em materiais exóticos em condições muito diferentes.

"Estamos, de facto, entusiasmadíssimos com estes resultados. Os cientistas trabalharam de forma incansável durante toda a semana, pois os dados que receberam da Huygens são emocionantes. Isto é apenas o início. Estes dados viverão muitos anos e manterão os cientistas muito, muito ocupados", afirmou Jean-Pierre Lebreton, Cientista de Projecto e Director da Missão Huygens da ESA.

A missão Cassini-Huygens resulta de uma cooperação entre a NASA, a ESA e a ASI, a Agência Espacial Italiana. O Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL), uma divisão do Instituto de Tecnologia da Califórnia, em Pasadena, está a gerir a missão para o Departamento de Ciência Espacial da NASA, em Washington DC. O JPL concebeu, desenvolveu e montou o veículo orbital Cassini, enquanto que a ESA dirigiu as operações da sonda atmosférica Huygens.

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