Viagens a Marte

Alguns cientistas que fazem investigação ligada ao espaço fazem referência a um “Demónio de Marte”, uma força imaginária que sabota as naves espaciais destinadas ao Planeta Vermelho!

Na realidade não há demónios mas, apesar de ser um dos planetas vizinhos mais próximo da Terra e possivelmente o mais semelhante fisicamente, Marte ainda é, de facto, um lugar difícil de visitar.

Mariner 4

Já foram tentadas quase quarenta missões espaciais a Marte – com mais de metade a terminar em fracasso. As naves espaciais envolvidas revelaram um mundo de maravilha com semelhanças tentadoras e diferenças exóticas relativamente ao nosso planeta. A primeira missão bem sucedida a Marte, a nave espacial Mariner 4, foi lançada pela NASA a 28 de Novembro de 1964. Ela passou a cerca de 9000 kilómetros de Marte a 14 de Julho de 1965 e enviou, como planeado, 22 imagens - as primeiras fotografias em grande plano de um outro planeta.

Mars 3

As imagens, reproduzidas através de um pequeno gravador de fita magnética durante um longo período de tempo, mostraram crateras de impacto de tipo lunar, afastando o antigo mito de canais e civilizações perdidas em Marte.

Mariner 8 e 9 foram o terceiro e último par de missões a Marte da série de missões Mariner da NASA. Ambas foram planeadas para serem os primeiros veículos orbitais de Marte, pretendendo–se que passassem algum tempo a órbitar em redor do planeta, para além de passarem rapidamente perto dele.

Viking

Infelizmente, o Mariner 8 falhou durante o lançamento, mas o Mariner 9 tornou-se no primeiro satélite artificial de Marte, quando chegou perto do planeta e entrou em órbita, onde funcionou durante quase um ano.

Os gémeos Mars 2 e 3 da União Soviética foram lançados em Maio de 1971. O Mars 2 chegou a Marte, entrou em órbita e libertou o módulo de aterragem, mas este colidiu com a superfície depois dos seus motores de travagem terem falhado – apesar disso tornou-se no primeiro objecto fabricado pelo homem em Marte.

Phobos 1

A sua name gémea, a Mars 3, também orbitou Marte e lançou o módulo de aterragem com sucesso sobre a superfície de Marte. Este trabalhou durante 20 segundos e os especialistas suspeitam que foi destruído por uma tempestade de poeira marciana.

No entanto, as missões espaciais que deram um verdadeiro destaque à exploração de Marte foram, indubitavelmente, as duas missões Viking nos meados dos anos 70. Ambas consistiam num veículo orbital e num módulo de aterragem, tendo sido os módulos de aterragem a enviarem as primeiras imagens detalhadas a partir da superfície marciana.

Elas mostraram uma paisagem semelhante a um deserto que, em temperatura, era, de facto, mais parecida com a tundra da Terra. Os veículos orbitais realizaram a cartografia de cerca de 97% do planeta.

A exploração de Marte teve depois uma paragem durante mais de duas décadas, interrompida somente por algumas tentativas falhadas ou parcialmente bem sucedidas. O veículo orbital/módulo de aterragem Phobos Soviético, perdido na rota para Marte em 1989, e o Phobos 2, também perdido em 1989 perto da lua Marciana Phobos, e o Mars Observer americano, perdido em 1993 quanto estava prestes a chegar a Marte.

A Mars Global Surveyor tornou-se na primeira missão com êxito ao Planeta Vermelho em vinte anos. Foi lançada em 1996, e entrou em órbita em 1997.

Mars Pathfinder

No mesmo ano, a política de “mais rápido, mais económico, melhor” da NASA colocou o Mars Pathfinder na superfície do Planeta Vermelho. O pequeno jeep lunar, Sojourner, rastejou pela superfície durante muitas semanas, analisando rochas e atraindo a imaginação do grande público.

Infelizmente, este não se revelou o princípio de uma renascença gloriosa e o ‘Demónio de Marte’ atacou de novo, fazendo com que as quatro missões seguintes não tivessem utilidade ou ficassem severamente danificadas.

O veículo orbital e os módulos de aterragem russos denominados Mars ’96, transportando várias experiências europeias, perderam-se num acidente do veículo de lançamento em 1996. O veículo orbital americano Mars Climate perdeu-se na chegada a Marte em 1999. As sondas Mars Polar Lander/Deep Space 2 americanas também se perderam durante a chegada em 1999.

No entanto, em 2001, a americana Mars Odyssey chegou com êxito à órbita de Marte, transportando experiência científicas concebidas para efectuar observações globais de Marte. Esta nave espacial também irá servir como retransmissor de comunicações para as naves espaciais americanas e europeias que cheguem a Marte em 2003 e 2004.

No entanto, o ano de 2003 assistiu a um interesse retomado por Marte através de um aumento de missões: A ESA lançou o Mars Express, com o seu módulo de aterragem Beagle 2, a NASA a lançar dois rovers, Spirit e Opportunity. A sonda espacial japonesa Nozomi deveria chegar no início de 2004, mas teve um problema de funcionamento e, depois de várias tentativas para a recuperar, por parte da equipa responsável pela missão, foi dada como perdida.

No dia de Natal de 2003, a missão da ESA Mars Express colocou-se com sucesso em órbita em torno de Marte. No início de Janeiro, o módulo de aterragem Beagle 2 ainda não tinha dado sinal da sua aterragem, mas as equipas envolvidas na missão ainda estão a trabalhar para conseguirem contactar a sonda. A 4 de Janeiro de 2004, o primeiro rover da NASA, Spirit, aterrou na superfície marciana.

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