O verme que se sente em casa no espaço

Caenorhabditis elegans
O nemátodo
12 Julho 2012

Os astronautas regressam à Terra enfraquecidos e trêmulos, devido aos efeitos da ausência de gravidade e da radiação no espaço. Novas pesquisas mostram agora que um simples nemátodo se adapta muito melhor ao voo espacial.

Quando o astronauta da ESA André Kuipers foi pela primeira vez para o espaço, rumo à Estação Espacial Internacional, em 2004, levou consigo alguns vermes microscópicos, da espécie Caenorhabditis elegans.

André com a experiência de 2004

Uma equipa internacional de cientistas, dos Estados Unidos, Japão, França e Canadá estavam interessados em ver como o C. elegans reage à vida no espaço.

Esta espécie foi escolhida por se tratar do primeiro organismo multicelular cujo genoma foi mapeado por completo.

Depois disso, os investigadores descobriram que o verme do astronauta exibia menos proteínas tóxicas nos músculos do que se tivesse ficado em Terra, de acordo com os resultados publicados recentemente no jornal Nature Scientific Reports recently.

Tudo nos genes

Os cientistas ficaram intrigados e investigações posteriores revelaram que sete genes eram menos ativos no espaço. A vida na Estação Espacial impedia a ação normal de certos genes.

Caenorhabditis elegans
C. elegans

Surpreendentemente, os vermes pareciam funcionar melhor sem eles.

O que aconteceria se os mesmos genes fossem desligados no laboratório? Os investigadores descobriram que os vermes que cresciam sem os sete genes também viviam mais e eram mais saudáveis.

Nathaniel Szewczyk, cientista que participa no projeto explica: “Os músculos tendem a encolher no espaço. Os resultados deste estudo sugerem que os músculos se estão a adaptar em vez de reagirem involuntariamente às condições do espaço.

“Ao contrário do que seria de esperar, os músculos no espaço podem envelhecer melhor do que na Terra. Também pode ser que o voo espacial atrase o processo de envelhecimento.”

A soyuz a aterrar

O homem partilha 55% dos genes com o C. elegans, por isso o próximo passo é analisar a resposta dos músculos humanos ao voo espacial.

O astronauta da ESA, André Kuipers, terminou a sua segunda missão à ISS a 1 de julho, aterrando nas estepes do Cazaquistão. Nesta missão, levou mais vermes para continuar a investigação, mas desta vez o próprio astronauta também foi investigado.

Antes do início da missão, foi removida ao astronauta uma pequena porção de músculo da perna e guardada para análise. Agora, depois de seis meses, os cientistas estão ansiosos por ver como os seus músculos reagiram ao voo espacial.

Ao contrário dos vermes, terá a oportunidade de descansar por umas semanas, antes de os cientistas irem espreitar os seus músculos ao microscópio.

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