Patentes espaciais transformam-se em negócios no desafio S2UN

A equipa HANS
11 Julho 2013

Os estudantes que competiram no desafio universitário Space Solutions (soluções espaciais), ou S2UN na sigla inglesa, propuseram novas spin-offs de tecnologias espaciais promissoras, como soluções para melhorar a captação de energias renováveis, barcos movidos a energia solar e tornar as cidades mais limpas através de tratamentos auto-sustentáveis de resíduos. O vencedor do concurso foi anunciado esta semana.

Três equipas universitárias de Espanha, Portugal e Itália têm competido desde outubro para desenvolver o melhor plano de negócios de uma spin-off usando a propriedade intelectual da ESA, ou as IPs da ESA.

A primeira IP ESA sobre a mesa, a patente 550, é um regulador avançado de painel solar para melhorar a conversão da energia entre os painéis solares das naves espaciais e as baterias.
A outra, a patente 360, é um ecossistema de reciclagem de resíduos orgânicos para a futura morada planetária.
Esta semana, as ideias foram apresentadas a um júri de especialistas da ESA, do Instituto Europeu de Patentes e do Open Fund Sky Technologies (fundo de tecnologias do céu), e o vencedor do desafio S2UN foi anunciado na segunda-feira, 8 de julho.

O vencedor: utilização de eletricidade sem rede

IP spin-off

O júri selecionou a empresa italiana de doutorandos Harvesting New Suns (HANS, colhendo novos sóis) do Politécnico de Torino como o vencedor. O seu plano de negócios centra-se no abastecimento de água e soluções para a agricultura nos locais sem rede eléctrica em países em desenvolvimento.

Usando a patente 550 da ESA, Danilo Roascio, Andrea Barbarino e Marta Nervo da equipa HANS apresentaram uma solução para capturar eficientemente as energias solar e eólica de forma a bombear poços de água para beber e irrigar lavouras.

Com o regulador da ESA, o projeto da equipa utiliza diversas fontes de energia elétrica – painéis solares e turbinas eólicas - de forma eficiente, mesmo em dias nublados e sem vento. Desenvolvido por satélites, o regulador é altamente confiável e mais barato de manter do que as alternativas.

Júri

Este projeto é de particular interesse para os países em desenvolvimento, onde as redes de energia não estão disponíveis e são portanto necessárias soluções independentes, confiáveis e de baixo custo.

"O Desafio S2UN foi um projeto muito estimulante dentro no âmbito do nosso programa de doutoramento", disse Danilo.

"Ao partir de um plano de engenharia e passar para um plano de negócios, esta experiência fez-nos pensar fora dos livros académicos e da "caixa". Obrigou-nos a olhar para todo o processo desde o início até o fim e não só para a parte técnica da solução."

A equipa espanhola Green Sails (velas verdes) da Universidade de Oviedo também usou o regulador da ESA para melhorar o uso da energia solar em navios, reduzindo a necessidade de combustíveis fósseis, como o gasóleo e a gasolina.

Vencedores do desafio S2UN

A equipa portuguesa da Bionnovation (bio-inovação) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto usou a patente 360 da ESA para desenvolver um projeto para uma estação verde auto-sustentável de tratamento de resíduos para os municípios que querem tornar as suas cidades mais verdes.

A tecnologia promete alimentos, água e oxigénio através da exploração de resíduos orgânicos em escala industrial, produzindo biomassa com um elevado valor nutritivo.

Observando os instintos empreendedores das equipas, a maturidade do mercado e a viabilidade técnica, o júri avaliou os três modelos de negócio como muito interessantes e com bom potencial.

"A comercialização de patentes por jovens empreendedores requer um bom conhecimento da patente em si e do seu mercado-alvo", disse o Dr. Bernd Geiger, membro do júri e gestor geral do Triangle (triângulo), que gere o fundo da Open Sky Technologies iniciado no âmbito do Programa de Transferência de Tecnologia da ESA.

A equipa Green Sail

"Alguns têm um bom conhecimento técnico, mas têm que enfrentar a realidade do negócio, as necessidades do mercado e comercialização de um novo produto.

"Para serem bem-sucedidos, é muito importante que os novos empresários façam o seu trabalho de casa, consigam o máximo de exposição ao mercado, conversem com outros empresários e obtenham conselhos sobre a maneira de fazer negócios."

"Recebemos feedbacks muito importantes para a nossa proposta de negócio e vale a pena explorar mais o seu potencial", acrescentou Andrea Barbarino da HANS.

O desafio S2UN da ESA é uma iniciativa do Gabinete do Programa de Transferência de Tecnologia da ESA (TTPO, na sigla inglesa), dando aos estudantes universitários a oportunidade de trabalharem com a ESA na criação de aplicações não-espaciais baseadas no portfólio IP da Agência.

"Queremos dar aos alunos a oportunidade de trabalhar com tecnologias espaciais reais como parte integrante de sua formação universitária e desenvolver competências empreendedoras, criando novas spin-offs a partir de tecnologias competitivas da ESA", explicou Frank Salzgeber do TTPO.

"Ao focarmo-nos em estudantes universitários de áreas técnicas na fase final da sua formação, acreditamos que este desafio pode até criar novos negócios na Europa. Estamos também prontos para apoiá-los numa fase mais avançada de start-up nos nossos centros de incubação de empresas."

O TTPO foi criado para inspirar e facilitar a utilização da tecnologia, know-how e sistemas espaciais em aplicações não-espaciais. Através da sua Rede de Facilitadores de Transferência de Tecnologia na Europa e dos seus sete Centros de Incubação de Empresas de Tecnologia, já foram realizadas até ao momento 280 transferências, 200 empresas start-up foram apoiadas e 60 novas empresas são lançadas por ano.

Para apoiar as empresas start-ups, o TTPO construiu o fundo de capital de risco Open Sky Technologies, de €100 milhões, que tem como alvo spin-offs tecnológicas em estágios iniciais.

Space Solutions University Challenge 2012-13 participants
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