Space Shuttle Columbia – Nota Informativa n.2

6 Fevereiro 2003

Ontem, dia 4 de Fevereiro de 2003, teve lugar uma cerimónia memorial no Centro Espacial Johnson (JSC) da NASA, em Houston (Texas), na presença do presidente dos EUA, G.W. Bush, representantes das famílias dos astronautas do Columbia, muitos outros dignatários e representantes dos parceiros internacionais da NASA. O director do Centro Europeu de Astronautas, vários astronautas, pessoal do estabelecimento de Houston e membros do staff da ESA ligados aos instrumentos que se encontravam a bordo do STS-107 representaram a ESA.

Nesta quinta-feira, dia 6 de Fevereiro, irá ter lugar uma cerimónia religiosa na Catedral National, em Washington. Irão estar presentes os parceiros internacionais da ISS (Estação Espacial Internacional) e representantes de outros programas do espaço, assim como representantes de alto nível de vários países europeus. O director geral da ESA, Antonio Rodotà e Jörg Feustel-Büechl, director das missões espaciais tripuladas, irão representar a ESA nesta cerimónia.

Actualização técnica das investigações acerca do desastre

Ron Dittemore, o responsável pelo programa Shuttle, a partir do JSC da NASA, referindo-se ao acidente de 1 de Fevereiro, numa conferência para jornalistas, reconstruiu os últimos minutos do voo do Shuttle Columbia antes de se perderem as comunicações:

  • Às 13h 52m GMT, três sensores do trem de aterragem esquerdo mostraram um aumento invulgar na área do alojamento do trem de aterragem esquerdo (altura em que o Columbia se aproximava da costa da Califórnia).
  • Às 13h 53m, um quarto sensor de temperatura estrutural do trem de aterragem esquerdo mostrou um aumento entre 17 e 22 graus celsius) na temperatura durante um período de cinco minutos (o Columbia já se encontrava sobre a Califórnia).
  • Às 13h 55m, um quinto sensor do trem de aterragem esquerdo mostrou um aumento abrupto da temperatura.
  • Às 13h 57m, os sensores de temperatura da asa esquerda falharam "off-scale low", o que significa que a partir daí não foram recebidos quaisquer outros dados a partir de terra (o Columbia encontrava-se sobre o Arizona).
  • E às 13h 59m, segundos antes de se perderem as comunicações com o Columbia, havia uma clara evidência de uma pronunciada resistência na superfície exterior da asa esquerda, levando a que dois dos quatro motores do sistema orbital de manobras dessa área do Shuttle se incendiassem durante 1,5 segundos, como reacção à crescente resistência. O veículo encontrava-se ainda sob controlo, mas as taxas de variação dos parâmetros da trajectória encontravam-se acima dos valores que se deveriam verificar em circunstâncias normais.

Sr. Dittemore afirmou que será preciso mais tempo para recuperar mais 32 segundos de dados adquiridos pelos computadores em terra depois de terem sido perdidas as comunicações com o Columbia, e para perceber se estes irão ser úteis para o inquérito aberto desde o acidente.

No que se refere ao pedaço de espuma isoladora que caiu da parte externa do tanque de combustível cerca de 80 segundos depois do lançamento, ele disse que a análise das imagens disponíveis indica que o pedaço de espuma media cerca de 50 cm x 40 cm x 15 cm e pesava cerca de 1,2 kg.

Estas análises não foram unicamente baseadas nas imagens do STS-107, mas também num acidente semelhante que ocorreu durante o voo Shuttle Atlantis em Outubro de 2002 (STS-112), durante o qual a tripulação tinha filmado a parte externa do tanque de combustível no momento em que este se separava do vaivém durante o lançamento.

A conclusão, nessa altura, era de que os destroços não representavam uma ameaça à segurança da tripulação ou do veículo. As análises irão ser repetidas para determinar se o acidente contribuiu para o desastre.

Prossegue uma recolha e um agrupamento dos destroços, estando a ser dado um ênfase especial a qualquer elemento que contenha dados ou registos. Cada elemento encontrado é analisado detalhadamente, para se ver se possui qualquer tipo informação que possa vir a ser útil para as investigações em curso.

Para além destas medidas, a NASA está a realizar uma série de análises para tentar chegar à origem do problema. Irá determinar a quantidade da asa que seria necessária estar danificada, para levar a valores correspondentes a uma resistência tão pronunciadamente assimétrica, como aqueles verificados durante a reentrada na atmosfera terrestre. A NASA irá analisar a quantidade de protecção térmica que seria necessário ter-se perdido para levar a uma desintegração progressiva, como a que se verificou com o Columbia.

Estado da ISS e planos a curto prazo

A NASA e os parceiros internacionais da ISS já começaram sessões de briefing para avaliar o estado e os planos para a ISS.

A tripulação está a trabalhar de forma nominal, e está a descarregar a nave de carga Progress que acoplou com sucesso à ISS à hora prevista, 14h 49m GMT de ontem, dia 4 de Fevereiro.

Todos os parceiros actuais pretendem que a ISS esteja permanentemente tripulada.

Várias propostas estão a ser desenvolvidas, no sentido de se perceber qual o melhor forma de apoio à estação e às futuras opções conjuntas por parte dos veículos Soyuz e Progress. Os voos de substituição Soyuz, que levariam a bordo astronautas da ESA e que estavam agendados para Abril e Outubro, estão incluídos no processo que reanálise e reconsideração, a decorrer neste momento.

Actualização dos dados científicos europeus do STS-107

Os primeiros contactos com as equipas operativas e científicas ligadas aos três instrumentos da ESA que tiveram sucesso, transmitindo toda a sua telemetria e dados vídeo às equipas no solo, revelaram grande tristeza relativamente ao fim trágico da missão STS-107, mas uma enorme satisfação relativa aos dados científicos que foram adquiridos graças ao excelente trabalho da tripulação.

O Facility for Adsorption and Surface Tension (FAST) que voara já antes a bordo do STS-95, em Outubro de 1998 (tendo o veterano norte-americano John Glenn e o astronauta da ESA Pedro Duque entre os tripulantes), funcionou extremamente bem. Três experiências foram realizadas sequencialmente, para um grupo de investigadores alemão e dois italianos.

O instrumento COM2PLEX consiste em três “Loop Heat Pipe” fornecidos por três companhias industriais da Bélgica, França e Alemanha. Existem dados detalhados disponíveis e diversas análises qualitativas revelaram melhorias significativas nas capacidades de transferência de calor.

Relativamente as todas as sete experiências com o Advanced Respiratory Monitoring System (ARMS) realizadas durante o voo, dirigidas por equipas de investigação da Dinamarca, Alemanha, Itália e Suécia, dados excelentes foram obtidos.

Mais informação sobre os instrumentos europeus e as experiências levadas a cabo a bordo do STS-107 podem ser obtidas clicando nos links do lado direito.

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