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O laboratório europeu Columbus deixa a Terra
ESA PR 7-2008. Columbus, o avançado laboratório científico da ESA no espaço, acabou de ser lançado em órbita para ir ao encontro da Estação Espacial Internacional (ISS), à qual vai acoplar. Columbus encontrava-se a bordo da Nave Espacial Atlantis, da NASA, quando esta descolou do Centro Espacial Kennedy em Cape Canaveral, Flórida, às 20:45 CET de hoje. Durante esta viagem de ida para a órbita da Terra, o Columbus está nas mãos de uma experiente equipa de sete astronautas, incluindo dois membros do Corpo Europeu de Astronautas: Léopold Eyharts, da França, e Hans Schlegel, da Alemanha.
No próximo sábado, dia 9 de Fevereiro às 18:23 CET, a nave espacial Shuttle Atlantis irá acoplar à ISS. No dia seguinte, o braço robótico Canadarm2 da estação espacial irá retirar o módulo Columbus do compartimento de carga da nave e aclopá-lo à entrada a estibordo do módulo Harmony (Nodo 2). Dois astronautas, incluindo Hans Schlegel, irão efectuar um passeio espacial e prestar assistência à manobra.
Estão planeados mais dois passeios espaciais enquanto a Atlantis se encontra acoplada à ISS, incluindo um segundo com Hans Schlegel e com um astronauta da NASA para instalar corrimões e cargas úteis científicas externas no módulo Columbus.
Enquanto avançado centro de investigação, o laboratório Columbus representa um marco fundamental na contribuição da Europa para a ISS. Assim que esteja acoplado ao posto orbital, este módulo de 7 metros de comprimento e 12,8 toneladas irá fornecer um ambiente informal onde os astronautas podem utilizar equipamento científico e efectuar experiências em microgravidade numa vasta gama de tópicos de ciências da vida, fisiologia humana, biologia, física dos fluidos, ciências materiais, tecnologia e educação. Este irá também dispor de instalações externas para a realização de experiências orientadas para ciência espacial, observação da Terra, materiais e tecnologias espaciais avançadas.
O Columbus transporta 2,5 toneladas de cargas úteis científicas, que consistem de cinco racks internos que alojam instalações de investigação multi-utilizador integradas ou modulares - Biolab, Laboratório de Ciência dos Fluidos, Módulo Europeu de Fisiologia, European Drawer Rack e Transportadora Europeia. Duas outras cargas úteis são transportadas separadamente no compartimento de carga do Shuttle e serão montadas nas plataformas externas do Columbus: o observatório Solar e a Unidade de Exposição de Tecnologia europeia. Numa fase posterior serão adicionadas mais cargas úteis internas e externas.
Assim que estiver ligado à ISS, o laboratório espacial europeu será monitorizado e controlado pelo Centro de Controlo Columbus, da ESA, situado no estabelecimento da Agência Espacial Alemã (DLR) em Oberpfaffenhofen, na Alemanha, que será responsável pelos ensaios de colocação em serviço e pela coordenação de operações científicas a bordo. O Centro de Controlo dedicado a esta missão irá também gerir a rede europeia de comunicações terrestres, fornecendo ligações aos centros de controlo americanos e russos, assim como a outros centros de controlo e de operações europeus. Foi criada uma rede de Centros de Operações e Suporte ao Utilizador (USOCs) por toda a Europa, de forma a facilitar o interface entre os investigadores e as cargas científicas a bordo do Columbus e permitir aos investigadores controlar as suas experiências e receber dados em tempo real acerca dos resultados.
Apesar de o Columbus ser o maior contributo da ESA para a ISS, não é o primeiro, nem será o último a ser lançado. A ESA já forneceu um Sistema de Gestão de Dados para o segmento russo (DMS-R) e vários racks de equipamento de investigação já em operação, como o Laboratório de Microgravidade ou o Laboratório a Menos Oitenta Graus para o congelador da ISS. Sob um contrato de troca com a NASA, a ESA forneceu também o módulo de ligação Harmony (Nodo 2), entregue pelo voo anterior do Shuttle, no passado Outubro. Cedo em março, um lançador Ariane 5 irá também levantar o cargueiro não tripulado 'Jules Verne', o primeiro de uma série de Veículos de Transferência Automatizados (ATVs) que serão utilizados para a manutenção da estação e para a impulsionar. Outras contribuições europeias agendadas para o futuro incluem um Braço Robótico Europeu, o módulo Nodo 3 e o posto de observação Cupola.
“O lançamento do Columbus marca o início de uma nova era. Esperámos muito por este momento importante para os voos espaciais humanos europeus e para as ciências relacionadas com o espaço”, disse Daniel Sacotte, Director dos Programas de Voos Espaciais Humanos, Microgravidade e Exploração da ESA. “A primeira decisão relativa aos primeiros estudos relativos ao Columbus foi tomada em 1985. Na altura, foi planeado como um contributo para o projecto Space Station Freedom, da NASA. À medida que o mundo foi mudando, a estação foi reconcebida e tornou-se um programa verdadeiramente internacional. Há cerca de doze anos, podemos dar início ao desenvolvimento do Columbus à escala real. Actualmente, o Columbus é uma realidade, um laboratório no espaço com muitas mais capacidades do que as propostas em 1985, e mesmo do que as planeadas em 1995, uma vez que tirámos partido dos atrasos na montagem da ISS para melhorar o nosso design e equipamento. O Columbus é agora um laboratório espacial de classe mundial, preparado para 10 anos de promissoras experiências científicas.”
A Nave Espacial Atlantis sará pronta a desacoplar-se da ISS, a 16 de Fevereiro, e voltar a aterrar na Flórida, dois dias depois.
Dependendo da planificação do tráfego na ISS, Léopold Eyharts poderá ainda estar a bordo da ISS quando o ATV 'Jules Verne' chegar com o primeiro carregamento de carga, propulsores e fluidos para a estação. Tal representará também um grande passo para a presença da Europa no espaço.
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