O telescópio COROT apanha o mais pequeno exo-planeta telúrico

Planeta em trânsito em frente a uma estrela
6 Fevereiro 2009

O telescópio especial COROT descobriu o mais pequeno planeta telúrico alguma vez detectado fora do Sistema Solar. O espantoso planeta tem uma dimensão inferior a duas vezes o tamanho da Terra e orbita em torno de uma estrela semelhante ao Sol. A sua temperatura é tão alta que estará possivelmente coberto de lava ou de vapor de água.

Até agora foram descobertos cerca de 330 exoplanetas, a maior parte dos quais são gigantes gasosos com características semelhantes às de Júpiter e Neptuno.

A nova descoberta, COROT-Exo-7b, é diferente: o seu diâmetro é menos do que duas vezes o da Terra e completa uma órbita em torno da sua estrela uma vez a cada 20 horas. Está muito próximo da sua estrela e apresenta elevadas temperaturas, entre mil e mil e quinhentos graus centígrados. Os astrónomos detectaram o novo planeta quando este estava em trânsito pela estrela, diminuindo a luz da estrela enquanto passava em frente a ela.

A densidade do planeta ainda está sob investigação: pode ser rochoso como a Terra e coberto de lava líquida. Pode ainda pertencer a uma classe de planetas que se pensa serem feitos de água e rochas, na mesma proporção. Dadas as elevadas temperaturas que foram detectadas, o planeta deve ser muito quente e húmido.

«Encontrar um planeta tão pequeno não foi uma surpresa completa», disse Daniel Rouan, investigador do Observatório de Paris Lesia, que coordena o projecto com Alain Léger, do Instituto de Astrofísica Espacial (Paris, França). «O COROT-Exo-7b pertence a uma classe de objectos cuja existência foi prevista há já algum tempo. O COROT foi projectado precisamente com a espectativa de que viessem a ser descobertos alguns desses objectos», acrescentou.

São muito poucos os exoplanetas encontrados até agora com uma massa comparável à da Terra e aos outros planetas telúricos: Vénus, Marte e Mercúrio. Isto deve-se ao facto de os planetas telúricos serem muito difíceis de detectar. A maior parte dos métodos usados até agora são indirectos e sensíveis à massa do planeta, enquanto o CAROT consegue medir directamente a dimensão da superfície dos planetas, o que é uma vantagem. Além disso, a sua localização no espaço possibilita períodos mais longos de observações ininterruptas do que a partir do solo.

Detectámos pela primeira vez e sem qualquer dúvida um planeta que é rochoso da mesma forma que é a nossa Terra

Esta descoberta é significativa porque medições recentes indicaram a existência de planetas com pequenas massas mas até agora o seu tamanho mantinha-se indeterminado.

A estrutura interna do COROT-exo-7b intriga particularmente os cientistas. Não há a certeza se se trata de um ‘planeta oceano’, um tipo de planetas cuja existência nunca tinha sido provada. Em teoria, estes planetas estariam inicialmente revestidos por gelo, deslocando-se posteriormente em direcção à sua estrela o que provocaria a fusão do gelo e a formação de uma cobertura líquida.

«Esta descoberta é um passo muito importante para a compreensão da formação e evolução do nosso planeta», disse Malcolm Fridlund, cientista da ESA responsável pelo COROT. «Detectámos pela primeira vez e sem qualquer dúvida um planeta que é rochoso como a nossa Terra. Agora temos de perceber melhor este objecto e continuar a nossa pesquisa de planetas pequenos e parecidos com a Terra, recorrendo ao COROT», acrescentou.

Notas para os editores:

Esta descoberta foi feita com recurso a observações complementares de uma vasta rede europeia de telescópios, operada a partir de vários institutos e países.

O Observatório Europeu do Sul, em Paranal e La Silla (Chile), o telescópio de 80-cm do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias e o telescópio Canadiano, Francês e Havaiano em Mauna Kea, no Havai (CNRS, CNRC, e Universidade do Havai).

As descobertas aparecerão em ‘Transiting exoplanets from the CoRoT space mission VII. COROT-Exo-7b: The first super-earth with radius characterized’ by A. Léger , D. Rouan , J. Schneider , R. Alonso , B. Samuel , E. Guenther , M. Deleuil , H.J. Deeg , M. Fridlund, et al., a ser submetido à Astronomy and Astrophysics.

O COROT (convecçção planetária, rotação e trânsitos) é uma missão conduzida pela Agência Espacial Francesa (CNES), com a contribuição da ESA, Áustria, Bélgica, Alemanha, Espanha e Brasil. É um telescópio colocado em órbita da Terra que foi lançado em Dezembro de 2006 transportando um telescópio de 27 centímetros de diâmetro concebido para detectar pequenas alterações de brilho nas estrelas mais próximas. Os principais objectivos da missão são a procura de exo-planetas e o estudo do interior das estrelas.

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